Após a falha no atendimento de um pedido de socorro feito pelo comerciante Eraldo de Jesus Santos, 42, à central telefônica da polícia no número 190 em Aracaju, em Sergipe, que culminou na morte dele, a família do comerciante entrará na Justiça com um processo contra o Estado.
- Uma morte assim dói demais, é difícil esquecer - disse a viúva de Eraldo, Marizete Silva Santos.
- Se a polícia passasse e abordasse os bandidos, levava eles presos e hoje meu irmão estaria vivo - disse o irmão de Eraldo, Messias de Jesus Santos.
Quem atendeu a ligação do comerciante pedindo socorro não foi um policial, mas sim uma operadora de telemarketing, que não percebeu a gravidade da situação em que a vítima estava. Eraldo tentou durante cinco minutos convencer a atendente da ameaça que estava por perto, mas sem sucesso. Ele relatou que dois motoqueiros estavam parados, com capacete, olhando para seu estabelecimento. Sem o retorno do chamado da polícia, Eraldo continuou no local, horas após, foi assassinado com um tiro na cabeça quando saía do depósito.
O serviço de atendimento de emergência em Sergipe foi terceirizado há menos de um ano. Dezesseis atendentes se dividem em três turnos. As ocorrências são repassadas para a Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Instituto Médico Legal de Sergipe, mas o socorro só é enviado quando os funcionários da empresa de telemarketing acham necessário.