Na Zona Leste de São Paulo, na região do Jardim Romano, moradores - que sofrem com a enchente há quase dois meses - se uniram para limpar um córrego.

São mais de 50 dias com ruas e casas alagadas. Famílias que nunca sofreram com as inundações, desta vez viram a casa ser tomada pela água. “Vinte anos que eu moro aqui, nunca aconteceu isso. Nunca aconteceu. É a primeira vez”, disse uma moradora.

As causas para alagamentos cada vez piores são apontadas pelos próprios moradores: chuva forte; lixo que se acumula em meio a enchente; e córregos assoreados no extremo da zona leste.

No limite entre São Paulo e Guarulhos, passa um canal do Rio Tietê. De acordo com os moradores da região, o problema é que a ponte sobre o canal está praticamente bloqueada pelo mato e pelo lixo, o que dificulta a passagem da água. Até pedaços de madeira levados pela chuva ajudam a formar uma barreira.
“Tranca toda água, demora passar. Em vez de ir embora, entra nas casas”, reclamou a estudante Márcia Leal. Cansados de pedir ajuda ao poder público, os próprios moradores decidiram se unir para limpar o canal.

“O serviço é da Prefeitura. Se eles não fazem, a gente tem que se arriscar e fazer, né”, diz uma outra moradora. O trabalho é lento: dois homens ficam na água, enquanto outros dois, no alto da ponte tentam tirar toda a sujeira. Um trabalho delicado e até perigoso.

“Um colega cortou o pé, eu machuquei a unha, machuquei a perna. Mesmo sem maquinário, sem nada, só com a mão, a coragem e a força do pessoal”, disse o pedreiro José Vitório Pereira Santos.

Nas ruas alagadas, um homem se arrisca: chegar ou sair do condomínio onde mora sem pisar na água contaminada só mesmo por cima do muro de dois metros de altura. Uma situação que quem vive no local já não consegue nem mais descrever.

Segundo as prefeituras de São Paulo e Guarulhos, o desassoreamento do córrego é responsabilidade do governo do estado. A Secretaria Estadual de Saneamento e Energia informou que já limpou 42 córregos através do programa Córrego Limpo. E que outros 58 serão desassoreados até o fim deste ano.