A chuva dos últimos dias começa a se refletir na produção de verduras no estado de São Paulo. A região de Mogi das Cruzes, responsável pela produção de 15% das hortaliças do Brasil, tem vários pontos alagados por causa da abertura parcial das represas e da cheia do Tietê. Cerca de 30% da produção já está perdida.
Alface, escarola, almeirão. Tudo ficou debaixo d’água em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Mais da metade de uma área no município já estava plantada, mas o nível do Rio Tietê subiu de repente e quase nada se salvou. Vinte e quatro mil pés de hortaliças foram perdidos na água. O cenário de devastação é reflexo da chuvarada dos últimos dias e da cheia nas represas.
As barragens que abastecem três milhões de pessoas de parte da região metropolitana e na Zona Leste da capital paulista suportam até cinco bilhões de litros de água. Todas estão acima da média e precisaram abrir parcialmente as comportas para liberar o excesso de água. São 16 mil litros de água por segundo. O Rio Tietê, que recebe toda essa água, transborda. E inunda as plantações que ficam às margens.
Na região que é responsável por 15% das hortaliças cultivadas no país, o que não foi atingido pela cheia não dá mais para aproveitar: quase três mil pés de almeirão vão para o lixo porque as raízes apodreceram. O agricultor Paulo Shintate perdeu 60% dos dez mil pés de vários tipos de verdura. “Nesta época do verão, o consumo é bem maior de saladas e hortaliças e a gente não tem o que mandar para o mercado porque não tem condições de produzir", diz.
E, sempre que acontecem problemas assim, o consumidor já sabe: com menos oferta, o preço sobe. Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), a maior central de distribuição de alimentos do país, os preços subiram em média 11%.