O Governo do Estado assegurou, junto ao Banco do Nordeste (BNB), participação na disponibilização de recursos da ordem de US$ 23 milhões para investimentos na área de abrangência do Projeto Xingó, que compreende municípios em Alagoas, Pernambuco, Sergipe e Bahia. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (27), durante uma videoconferência entre representantes das secretarias de Estado do Planejamento e do Orçamento (Seplan), da Fazenda (Sefaz) e da Agricultura (Seagri) e a diretoria executiva do BNB, em Fortaleza.

Segundo o superintendente de Desenvolvimento da Seplan, Moisés de Aguiar, os recursos são provenientes do Fundo Internacional de Desenvolvimento da Agricultura (Fida), que tem como objetivo fortalecer o empreendedorismo ligado a iniciativas econômicas na zona rural que fica no entorno da represa de Xingó, no Semiárido nordestino. “A iniciativa vai beneficiar 16.120 famílias rurais que se enquadram no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)”, destaca.

A Seplan tem um papel de interlocutora entre o BNB e o Governo do Estado e ficará responsável pela elaboração dos arranjos institucionais, coordenação de planos de negócios e a articulação com as secretarias de Infraestrutura, Fazenda e Agricultura.

Alagoas assegurou sua participação no projeto por possuir capacidade de endividamento e planejamento financeiro aderentes. Para Ítalo Seixas, gerente da Célula de Desenvolvimento Territorial do BNB, a arrecadação e o planejamento de apoio às atividades produtivas são fatores positivos nas negociações do empréstimo.

“Os Arranjos Produtivos Locais (APLs) são programas desenvolvidos com sucesso no Estado. O aumento da receita graças ao surgimento de novos empreendimentos também é um fator significativo”, diz Ítalo Seixas.

As ações vão beneficiar 31 cidades distribuídas pelos quatro Estados. Os municípios alagoanos incluídos são Água Branca, Belo Monte, Delmiro Gouveia, Pão de Açúcar, Pariconha, Piranhas e Olho D’água do Casado. Segundo a direção geral do BNB, a escolha desses municípios deve-se à condição atual de emigração das comunidades zoneadas em torno do Rio São Francisco.

A videoconferência teve caráter preparatório e buscou promover o intercâmbio das principais informações sobre o projeto. Foram discutidas ainda, a realidade financeira do Estado e a possibilidade de inserção de outros municípios alagoanos no programa, como Mata Grande, Inhapi, Senador Rui Palmeira e Olho D’água das Flores.

Segundo Ricardo Aragão, superintendente de Projetos Especiais da Sefaz, a proposta de inclusão dos municípios tem relação com o Canal do Sertão, que possui localização estratégica para alavancar a agricultura familiar. “Toda vez que se faz um planejamento de ação e desenvolvimento, as possibilidades de sucesso aumentam muito. Portanto, é necessário incluir o Canal do Sertão como unidade de alocação de esforços”, afirmou Ricardo Aragão.

A próxima reunião do grupo será realizada em fevereiro, quando será apresentado o cronograma de concretização das atividades, além do levantamento estratégico da área no entorno do Canal do Sertão e informações sobre o termo de referência para a elaboração dos planos de negócios.