A Universidade Estadual Paulista (Unesp) planeja instalar um instituto de pesquisa do pré-sal em São Vicente, no litoral do estado de São Paulo. A instituição mantém na cidade um campus com uma única graduação, na área de ciências biológicas. A ideia é aliar essa vocação ao potencial de exploração de petróleo na bacia de Santos e virar polo acadêmico de referência no assunto, a exemplo do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos.
O custo do projeto foi estimado pela Unesp em R$ 30 milhões. O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) se comprometeu a repassar R$ 26 milhões, verba empenhada no Orçamento da União, sancionado nesta terça-feira (26). O próximo passo é a assinatura do convênio com a Unesp para o repasse dos recursos, que deve acontecer no início de março. Em seguida, a universidade já poderá abrir processo de licitação para as obras de edificação.
"Estive numa audiência nesta terça com o ministro [Sérgio Rezende] e ele autorizou o empenho dos R$ 26 milhões", disse o deputado federal Márcio França (PSB/SP), que foi prefeito do município e tem dado apoio ao projeto.
117 pesquisadores
O foco de estudo será nas áreas de geologia, oceanografia e recursos naturais e meio ambiente. No projeto apresentado ao ministério, ao qual o G1 teve acesso, a Unesp elencou 117 pesquisadores de diferentes áreas e unidades da universidade interessados em participar da iniciativa.
“É um projeto ambicioso, mas temos competências que poderiam dar subsídios e contribuir para as pesquisas no pré-sal”, afirma Maysa Furlan, do Instituto de Química da Unesp de Araraquara e assessora da Pró-reitoria de Pesquisa.
A pesquisadora ressalta que o campo de estudo não se limitaria ao pré-sal.
“Pretendemos avaliar também o impacto que a exploração traria para os recursos naturais, não só do ambiente de São Vicente e Santos mas os aspectos gerais em outras bacias onde o pré-sal será trabalhado futuramente no Brasil.” O instituto será o primeiro passo para a Unesp, única universidade pública presente na cidade, ampliar a atuação do campus e implantar programas de pós-graduação.
Terreno
Entusiasta da proposta, a prefeitura local já se mobilizou e deve providenciar a desapropriação de um terreno de cerca de 4.000 metros quadrados em frente ao campus da Unesp para a instalação do instituto. O núcleo, que funcionaria como modelo para o Brasil, ficará aberto à comunidade científica.
Os laboratórios devem ficar distribuídos num prédio de três andares. O projeto também prevê a construção de dois galpões para o maquinário mais pesado, especialmente na área de geologia. “Chegou-se a pensar em colocar no projeto [enviado ao MCT] a solicitação de um navio para fazer a exploração em alto-mar”, diz Maysa.
O prefeito de São Vicente, Tercio Garcia, anima-se com a perspectiva de aquecimento da economia na cidade. “Vamos receber pesquisadores, cientistas e profissionais que vão agregar sabedoria, tecnologia e, assim, agir como os pioneiros que criaram, por exemplo, o ITA em São José dos Campos, iniciativa que acabou atraindo dezenas de indústrias e criando empregos e capacitando os jovens."
Na opinião do deputado federal Márcio França, o reflexo na economia local deverá ser sentido de imediato. “Empresas nas áreas de gestão portuária e logística, como a Codesp [Companhia Docas do Estado de SP], têm grande interesse nessa história porque grande parte do impacto da história do pré-sal deságua no porto de Santos”, afirma.
“Na sequência do instituto, certamente vai haver a chegada de empresas ligadas à navegação, estaleiros para reformas. O Brasil é ainda muito carente nessa área.”