“Após mais de um século da sanção da Lei Áurea pelo regime imperial, a historiografia e o sistema brasileiro ainda associam ao povo afrobrasileiro a imagem da escravidão e se referem aos quilombos como um fato histórico do passado, negando sua historicidade e territorialidade”, escreveu o pesquisador Rafael Sanzio para a exposição fotográfica Quilombolas: Tradições e Cultura da Resistência.
Aberta nesta terça-feira (12), no Museu Palácio Floriano Peixoto (Mupa), a exposição mostra, por meio de fotos, textos, mapas, painéis, e legendas o que muitos brasileiros desconhecem: a atual situação das comunidades quilombolas e os diferentes tipos de territórios de matriz africana.
O registro fotográfico, inédito, realizado pelo fotógrafo documentarista André Cypriano em negativo convencional preto-e-branco tratado digitalmente, é resultado da pesquisa de campo em 11 comunidades negras remanescentes dos quilombos no Brasil. A mostra já passou por 15 cidades brasileiras e oito da América Latina.
“Estamos muito satisfeitos em receber esta exposição. Isto abre uma inserção do Museu Palácio Floriano Peixoto nas mostras do país e do mundo. Além disso, traz dinamismo para o museu. Espero que todos aproveitem e usufruam da exposição fotográfica”, falou o secretário adjunto da Cultura, Álvaro Vasconcelos.
Durante a abertura da mostra, os visitantes assistiram apresentação artística do grupo afro descendente Odô Iyá. Ao som dos tambores, os negros alagoanos mostraram que as raízes africanas também são fortes no Estado.
“Em todas as cidades que eu vou, sempre me perguntam sobre as comunidades de Alagoas. O Estado é referência quando se fala nos remanescentes africanos. Mas o fotógrafo escolheu as comunidades mais esquecidas. Nas fotos tem grupos que ainda falam dialetos”, explicou a produtora da exposição, Renata Calmon.
Até o dia 28 de fevereiro quem visitar a exposição vai conhecer um país multirracial, de dimensões continentais e de diferentes níveis de formação territorial.
Entre os registros do fotógrafo André Cypriano, destaque para um painel com seis fotografias, no formato 50 cm x 75 cm, que retratam o olhar cheio de vida de negras quilombolas. Destaque também para as práticas religiosas distribuídas em todas as comunidades.
“Esta mostra retrata a identidades das pessoas. O Museu Palácio Floriano Peixoto abre espaço para exposições que propõe reflexões. Nossa agenda está cheia até o fim do ano”, disse o diretor do Mupa, Fernando Lobo.
André Cypriano
Como parte de um projeto de longo prazo, o paulistano André Cypriano, radicado nos Estados Unidos, começou a foto-documentar estilos de vida tradicionais e práticas de sociedades em lugares menos conhecidos nos remotos cantos do mundo, com uma tendência para o raro e extraordinário. Cypriano é ganhador de diversos prêmios nacionais e internacionais.
A exposição Quilombolas: Tradições e Cultura da Resistência está aberta ao público de terça a sexta das 8h às 17h; quarta das 8h às 21 e sábados, domingos e feriados das 13h às 17h. Mais informações pelo telefone: (82) 3315-7874.
