O presidente da CPI da Corrupção da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Alírio Neto (PPS), afirmou que a comissão não vai ouvir nesta terça-feira o depoimento de Durval Barbosa, delator do esquema de pagamento de propina que atinge o governo local.

Alírio disse que a Casa deve fazer uma consulta ao Ministério Público sobre possíveis impedimentos para Barbosa prestar esclarecimentos à CPI. "Amanhã com certeza não tem depoimento. Vamos enviar uma comissão para falar com os promotores e decidir o que fazer", disse.

A Câmara deve encaminhar um ofício à Polícia Federal pedindo o cancelamento do depoimento. Barbosa solicitou que a CPI adie sua participação alegando que não pode dar novas declarações até o final das investigações da Polícia Federal.

A defesa do delator reforçou o pedido sustentando que ele pode ser prejudicado em outros processos que responde na Justiça, uma vez que poderia ser questionado sobre as outras ações, fugindo do suposto esquema de corrupção.

"Requisito designação futura por entender que preciso de mais tempo para juntar mais subsídios com vista à elucidação dos fatos", disse Barbosa no documento entregue à Câmara.

O ex-secretário de Relações Institucionais do governo Arruda afirmou ainda que não teve conhecimento do teor completo do inquérito do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que investiga o esquema.

Com a resistência de Barbosa em depor, a oposição também defendeu o afastamento. "Não queremos que Durval Barbosa venha a depor e que não haja qualquer tipo de contribuição. Não se tem que entrar em choque com Durval agora", afirmou.

Os governistas resistiam em ouvir Barbosa com receio dele promover um novo desgaste à cúpula do governo e aos oito distritais e dois suplentes suspeitos de participação no esquema de corrupção.

O requerimento do delator foi aprovado, mas a base aliada tentou evitar que uma data fosse definida. O relator da CPI, Raimundo Ribeiro (PSDB), chegou a propor que ele fosse o último a prestar depoimento na comissão.

Barbosa foi responsável pelas denúncias e pelos vídeos de políticos e assessores recebendo dinheiro de suposta propina que fazem parte do inquérito do STJ.

Em depoimento ao Ministério Público, ele acusou o governador de receber R$ 3 milhões em propina do setor de informática e contou ter entregue R$ 200 mil pessoalmente ao vice-governador, Paulo Octávio. Arruda e Paulo Octávio negam as denúncias.

Barbosa afirmou ainda ao Ministério Público Federal que o esquema de arrecadação teria começado a funcionar em janeiro de 2007, logo após a posse de Arruda.

Processos

Barbosa responde a mais de 30 processos na Justiça, no quais é acusado de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e ativa, formação de quadrilha, fraude em licitação e improbidade administrativa.

No início do mês, a Justiça condenou o ex-secretário de Arruda a devolver R$ 9.282.637,53 aos cofres do governo local. Ele também foi condenado à suspensão, por oito anos, dos direitos políticos e à perda da função pública. Ainda cabe recurso da decisão.