Se os jogadores oriundos ou que ainda estão nas categorias de base passaram a ser alvos de disputa em ações judiciais, o título da Copa São Paulo de futebol júnior conquistado na última segunda-feira pode aumentar esse assédio. Apesar de a maioria admitir já ter algum vínculo com empresários, o discurso ensaiado é o de não repetir o movimento de outros atletas tricolores e permanecer no Morumbi durante o período de contrato vigente.

Herói da conquista ao defender três pênaltis, o goleiro Richard possui empresário. Além disso, seu atual vínculo é curto, com duração até o fim deste ano. Mesmo assim, o jovem de 18 anos, que chegou ao São Paulo em 2002, afirma ter a intenção de seguir no Morumbi.

“Eu quero ficar, mas agora depende do clube querer que eu permaneça também”, afirmou o goleiro do São Paulo.

Outro destaque do time, o atacante Ronieli, de 18 anos, tem uma situação mais confortável. Porém, mesmo com um contrato até 2013, o atleta preferiu adotar uma resposta padrão sobre as possibilidades de permanecer por mais algumas temporadas na equipe tricolor.

“O São Paulo sempre me valorizou e tenho tido chances. Por isso, quero fazer o que for melhor para todos”, afirmou.

Os discursos ficaram ainda mais entrosados quando o assunto foi a polêmica em torno das brigas judiciais de Oscar, Diogo e Lucas Piazon. Tanto o goleiro quanto o atacante fugiram de qualquer tipo de julgamento em torno do caso dos ex-companheiros e preferiram não opinar sobre o assunto.

“Eu não entendo sobre o caso, e por isso não sei se foi a melhor opção ou não para eles”, despistou Ronieli. “Ficamos concentrados durante o mês de dezembro, e por isso eu não acompanhei essa polêmica”, completou Richard.

“Esse título mostra que o trabalho que está sendo feito é claro e transparente. Essas pessoas têm inveja do São Paulo, de tudo que conquistamos. Demos uma amostra de que estamos no caminho certo, ao contrário desses garotos [Oscar, Diogo e Lucas Piozan], que foram seqüestrados por uma pessoa que não tem nada a ver com o futebol”, rebateu, em um tom mais áspero, o presidente Juvenal Juvêncio.

A acusação de sequestro feita pelo dirigente recai sobre Giuliano Bertolucci. O empresário é o responsável pelas carreiras de Oscar e Diogo e, segundo o São Paulo, teria orquestrado as ações contra o clube.