Não há muitas dúvidas sobre a principal influência de Uma Mãe em Apuros: o filme em cartaz no Brasil, e que deve estrear em breve na Capital, é um Sex and the City sobre a maternidade.

Como Carrie Bradshaw, a blogueira nova-iorquina Eliza (interpretada por Uma Thurman) passa boa parte do tempo diante do computador, compartilhando pensamentos com seus leitores. Mas, em vez de escrever sobre sexo, ela fala sobre a vida familiar com o marido e os dois filhos, bolo de aniversário, carro rebocado, filas no supermercado.

Dirigido por Katherine Dieckmann, Uma Mãe em Apuros flagra Eliza em um momento de crise existencial. Ela não aguenta mais lidar com a falta de tempo para se dedicar à carreira de escritora e com o fato de não se sentir uma mulher livre e desejável. O cotidiano tornou-se distante demais dos sonhos juvenis.

O assunto é relevante, mas pouco explorado pelo cinema. Mas não é Uma Mãe em Apuros que irá compensar esta lacuna no cinema (na TV, a maternidade é tema de seriados como o veterano Desperate Housewives, a novidade Accidentally on Purpose, que estreia em fevereiro no Brasil, e a produção nacional Mothern, do GNT).

Quando adere ao drama, Uma Mãe em Apuros não tem revelações significativas sobre a maternidade. Nas partes cômicas, sucumbe aos clichês. Em comparação, os roteiros do seriado Sex and the City eram mais perspicazes, o que reforça a sensação de que boa parte da inteligência hollywoodiana migrou para a TV recentemente.

Além da direção burocrática, há outro problema grave no filme: Uma Thurman como protagonista. Ela está longe de ser má atriz, mas sua figura tem um quê de épico, de fantástico, com rosto, mãos e pés tão alongados. E, por isso, ela é mais crível como uma mulher que decepa dezenas de cabeças com uma espada de samurai, como em Kill Bill, do que como uma dona de casa que precisa recolher as meias do marido.