O Fórum Social Mundial, que nasceu há dez anos como alternativa ao capitalismo neoliberal, reúne-se a partir de amanhã em Porto Alegre para tentar definir seu rumo, ainda incerto devido aos desacordos na esquerda global.

O movimento que invadiu o cenário político mundial no ano de 2001 reunirá na capital gaúcha intelectuais de todo o leque da esquerda, que durante cinco dias farão um balanço da última década e debaterão seus "acertos e erros" nesse período.

Fórum Social Mundial começa em Porto Alegre nesta segunda-feira

Também foi confirmada a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na próxima terça-feira (26) discursará em um debate com representantes de movimentos sociais que participam do fórum.

Lula foi, como ativista e líder sindical, um dos propulsores do Fórum Social Mundial, que, em 2003, dias após ter assumido o cargo de presidente, recebeu o petista em Porto Alegre como primeiro "filho" do movimento contra a globalização que chegava ao poder.

Além de Lula, os organizadores desta nova reunião em Porto Alegre também convidaram outros presidentes latino-americanos, como o boliviano Evo Morales e o paraguaio Fernando Lugo, mas nenhum deles confirmou presença.

Por outro lado, estarão no encontro o presidente eleito do Uruguai, José Mujica, e o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, que participarão de várias atividades paralelas ao fórum.

Ao contrário de outras edições, o Fórum Social Mundial não terá em 2010 uma única "cúpula", mas realizará diferentes eventos em cerca de 30 países durante todo o ano.

O mais importante, no entanto, será o que começará amanhã em Porto Alegre, onde estarão vários dos mais renomados impulsores do Fórum Social Mundial, como o português Boaventura dos Santos, o egípcio Samir Amin, e os franceses Eric Toussaint e Bernard Cassen.

Esses intelectuais participarão, junto com dezenas de ativistas latino-americanos, de um seminário que "examinará os novos desafios da sociedade civil" e tentará "projetar os caminhos futuros do Fórum Social Mundial", segundo a organização.

O objetivo é ambicioso, pois, em seus dez anos, e em parte devido às sérias diferenças existentes no cada vez mais amplo leque da esquerda mundial, o Fórum Social Mundial não alcançou ir "da fase de protesto à fase de propostas", como sustentam alguns de seus fundadores, como o espanhol Ignacio Ramonet.

Essas discórdias na esquerda foram mais palpáveis na América Latina, um dos focos do Fórum Social Mundial, onde convivem variadas tendências, como o "bolivarianismo" radical do líder venezuelano, Hugo Chávez, e o pragmatismo progressista de Lula.

Dentro do Fórum Social Mundial também há diferenças em torno de se o movimento deve se manter como um ponto de encontro e reflexão para organizações civis, ou se transformar em uma espécie de partido político global ou uma nova "internacional" das esquerdas.

Além do seminário que será realizado em Porto Alegre, haverá outras dezenas de atividades que o Fórum Social Mundial organizará em cidades vizinhas, como São Leopoldo, Canoas, Sapucaia do Sul, Sapiranga e Novo Hamburgo.

No entanto, tanto pela presença dos propulsores do fórum quanto pelo simbolismo que tem para o movimento, as principais atividades estarão centradas em Porto Alegre. Na cidade foram realizadas as primeiras três edições do Fórum Social Mundial (2001, 2002 e 2003), que em 2004 fez uma imersão na pobreza da cidade indiana de Mumbai, que serviu para articular forças com os movimentos sociais asiáticos.

A reunião retornou a Porto Alegre em 2005 e, um ano depois, foi dividida em três, com sedes em Caracas, Mali e Paquistão.

Voltou a ser unificado em 2007, quando se transferiu a Nairóbi, e, em 2008, os organizadores substituíram o único encontro anual pelo que chamaram de Dia de Ação Global, realizado em 26 de janeiro e que significou protestos e conferências em quase 100 países.

No ano passado, o Fórum Social Mundial voltou a ter uma única edição, realizada em Belém.