Ministério Público Federal na Bahia propôs uma ação por improbidade administrativa contra seis construtoras e 11 ex-gestores por suspeita de irregularidades na licitação e execução das obras do metrô de Salvador. Segundo o órgão, os prejuízos aos cofres públicos chegam a R$ 100 milhões.

A obra, ainda não concluída após dez anos, já consumiu R$ R$ 525,5 milhões. A Justiça ainda não decidiu se vai acatar a denúncia, apresentada na semana passada.

Baseada em acórdãos do TCU (Tribunal de Contas da União), a ação aponta irregularidades na licitação e superfaturamento na contratação de obras civis e do sistema de energia utilizado no metrô.

O procurador Israel Gonçalves, responsável pela ação, afirma que o consórcio Metrosal (Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Siemens) realizou mudanças irregulares no projeto. Segundo ele, apenas a elevação desnecessária de parte do traçado aumentou o orçamento em R$ 36 milhões.

A ação também aponta a existência de um "consórcio oculto e ilegal" firmado com outros consórcios para a divisão antecipada dos lucros obtidos na obra, antes da apresentação das propostas.

Foram denunciadas as empresas Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Norberto Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão e Constran, além de ex-gestores da Companhia de Transportes de Salvador e da Companhia Brasileira de Trens Urbanos.

Até a conclusão desta reportagem, não foram localizados os responsáveis das empresas e os ex-gestores denunciados pelo procurador.

Em novembro passado, a Justiça Federal na Bahia acatou denúncia contra executivos da Camargo Corrêa, da Andrade Gutierrez e da Impregilo também por supostas irregularidades na licitação da mesma obra. A ação era um desdobramento da Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal.