O Comitê dos Direitos da Criança da ONU advertiu sobre os sequestros encobertos pela adoção no Haiti e manifestou preocupação "com as milhares de crianças separadas de suas famílias", em um comunicado publicado em Genebra.

"Alarmado pelas recentes informações que dão conta de saques e violências", o Comitê reclamou "medidas eficazes para proteger as crianças contra todas as formas de violência e exploração, incluindo a violência sexual e os sequestros encobertos pela adoção".

"Um número importante de crianças foram feridas e necessitam de atendimento médico urgente", assinalou o comunicado do Comitê dos Direitos da Criança, atualmente reunido em Genebra.

Durante a distribuição de alimentos, é preciso "garantir que a alimentação chegue aos mais necessidatos e não apenas aos que estão em melhores condições para recebê-la, isto é, os adultos", insistiu o comitê.

Países como Estados Unidos, Holanda e França disseram que temem pela vida das crianças em processo de adoção.

A Holanda, que domingo repatriou seis crianças haitianas já adotadas, enviou nesta segunda-feira um avião para buscar outras 109 em processo de adoção por famílias holandesas.

Os Estados Unidos também começaram a acelerar os procedimentos e, na França, um grupo de famílias apresentou uma solicitação com mais de 12 mil assinaturas para exigir a repatriação urgente dos meninos e meninas.

Terremoto

Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti nessa terça-feira, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.

Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. Estimativas mais recentes do governo haitiano falam em mais de 200 mil mortos e 50 mil corpos já enterrados. O Haiti é o país mais pobre do continente americano.

Morte de brasileiros

A fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, o diplomata Luiz Carlos da Costa, segunda maior autoridade civil da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, e pelo menos 16 militares brasileiros da missão de paz da ONU morreram durante o terremoto. Dois militares estão desaparecidos.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e comandantes do Exército chegaram na noite de quarta-feira à base brasileira no país para liderar os trabalhos do contingente militar brasileiro no Haiti. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou que o país enviará até US$ 15 milhões para ajudar a reconstruir o país. Além dos recursos financeiros, o Brasil doará 28 t de alimentos e água para a população do país. A Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou oito aeronaves de transporte para ajudar as vítimas.

O Brasil no Haiti

O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês), que conta com cerca de 7 mil integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força. Ao todo, são 1.310 brasileiros no Haiti.

A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião. Além do prédio da ONU, o prédio da Embaixada Brasileira em Porto Príncipe também ficou danificado, mas segundo o governo, não há vítimas entre os funcionários brasileiros.