Desde o lançamento do Manifesto Cresce Brasil, em 2006, a Federação Nacional do Engenheiros (FNE) vem alertando as autoridades brasileiras acerca da necessidade de aumentar a quantidade de profissionais de Engenharia no mercado. Agora, com o promissor crescimento na faixa de investimentos no país, o cenário é ainda mais preocupante. Os projetos das Olimpíadas de 2016, a exploração do petróleo na camada do pré-sal e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) são indicativos de que o desenvolvimento nacional pode sofrer um “apagão”, consequente da falta de mão-de-obra especializada.

Preocupada com o futuro, a FNE lançará um vídeo institucional, que começa a ser veiculado em fevereiro, destinado a estudantes de 2° grau, que esclarece a profissão de engenharia. A ideia é estimular os estudantes a optarem pelo curso, que tem um grande leque de opções e especializações.

– Precisamos fazer com que os jovens enxerguem a engenharia como a profissão do momento e do futuro. O desenvolvimento contínuo do país tem que servir de estímulo para o ingresso na carreira de engenharia – destaca Murilo Pinheiro, presidente da FNE. – Infelizmente, no ensino médio brasileiro, a educação é voltada para as ciências humanas, por isso é maior o número de estudantes que buscam o curso de Direito, por exemplo – avalia.

O presidente explica que alunos que gostam de entender o funcionamento das coisas e têm afinidade em física, matemática e química já possuem um bom perfil para o ofício. Mas só isso não basta. É necessário interesse em pesquisa, muita concentração e criatividade para se destacar na profissão.

Depois de cursar quatro períodos de Economia na PUC-Rio, estudante Felipe Moraes, 21, resolveu mudar para Engenharia Ambiental. O Motivo: facilidades para encontrar portas abertas no mercado de trabalho.

– Fico mais tranquilo sabendo que vou ser inserido num mercado de trabalho com muita oferta, e que só tende a crescer. Mas continuo tendo preocupações. A ideia é sempre correr atrás da melhor vaga, em uma empresa que me agrade, e que ofereça um bom salário – idealiza.

Abertura de vagas

Segundo dados da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge), o Brasil forma menos de 30 mil engenheiros a cada ano. Com a consolidação dos novos cursos, que já somam 1.400, pode ser que a estatística melhore num futuro próximo. No final de 2007, havia 270 mil estudantes de engenharia, o que equivale a 1,5 por mil habitantes. Na Coréia do Sul, são 20 engenheiros em cada 100 formandos nas universidades; na França, essa relação é de 15 para 100; e no Brasil, de oito para 100. Formamos 20 mil engenheiros por ano, contra 300 mil na China, 200 mil na Índia e 80 mil na Coréia.

Pinheiro ressalta que a falta de profissionais não depende apenas da quantidade de estudantes interessados, mas também das vagas oferecidas nas universidades, que ainda são poucas.