O sargento Severino Ananias de Araújo Filho, 39 anos, que tem familiares residindo no bairro Boa Passagem, em Caicó, está no Haiti desde o dia 10 de junho e pertence à 1ª Companhia de Fuzileiros de Infantaria de Caçapava/SP, da 12ª Brigada de Infantaria.
Ontem o sargento Severino Ananias de Araújo Filho concedeu entrevista por telefone à radialista Suerda Medeiros, no programa “Muito Mais Você”, da Rádio Caicó.
“Graças a Deus aqui comigo está tudo bem. Por uma graça de Deus estamos vivos. Eu ainda estou emocionado com o que aconteceu. A gente fica trabalhando para retirar as pessoas debaixo dos escombros, então é muito difícil a gente se segurar. É muito triste, são muitas crianças mortas, muita gente morta nas ruas e a gente está tentando fazer o máximo para salvar”, narrou.
O militar disse que no momento do terremoto se encontrava no alojamento arrumando a bagagem do pessoal que ia se deslocar para o Brasil. “Foi na hora que começou a tremer tudo, eu não sabia o que era, saí do alojamento e fui para o meio da rua e tive a sensação de que a terra estava virando uma onda, tipo aquelas ondas do mar, foi muito triste”.
Sargento Araújo não soube precisar quanto tempo durou o tremor de terra, mas segundo ele, falam que durou em torno de 20 segundos. “Eu não sei, porque na hora a gente não conseguia se equilibrar no chão, a gente tentava se levantar e caía”.
O primeiro passo após o término do terremoto, segundo Araújo, foi tentar localizar os companheiros de alojamento para verificar como se encontravam. “Não tinha ninguém precisando de ajuda no alojamento e saímos correndo para prestar os primeiros socorros às pessoas e vimos uma situação muito crítica. Estava pensando em ir ao Brasil no dia 21 próximo, mas agora não temos mais previsão de quando sairemos daqui”.
Severino Araújo narrou um momento que ele ainda não tirou da lembrança. “No momento que a gente estava salvando as pessoas, chegou uma criança e pediu para eu colocá-la na minha mala e levá-la para o Brasil e perguntou se eu queria adotar ele. Foi uma cena muito marcante e eu não suportei de emoção.”
O sargento caicoense assinalou que além do trabalho, o momento é de orações. “A gente tem que rezar para que tudo dê certo, para que a gente possa cumprir a nossa missão, voltar para o Brasil e abraçar nossos familiares que estão me esperando em São Paulo e depois ir a Caicó”.
Severino Araújo narrou que pretende vir a Caicó no mês de julho no período da Festa de Sant’Ana para reencontrar seus pais, irmãos e familiares da esposa.
É casado com a também caicoense Alesxandra Silva de Araújo, com quem tem dois filhos: Wanessa Larissa Silva de Araújo, 12 anos e Caio Vinicios de Araújo, de 8 anos.
Severino Araújo ingressou no Exército como soldado no 1º Batalhão de Engenharia de Construção em 1988 e foi aprovado no concurso da ESA em 1994. Após o curso foi destacado em Caçapava no interior de São Paulo. Em 1998 foi transferido para São Gabriel da Cachoeira no Amazonas onde trabalhou no Exército em comunidades indígenas. Retornou para Caçapava em 2001 onde ficou residindo e trabalhando.
Em contato com a Tribuna do Norte, Alexsandra Silva disse que seu marido sonhava em ir para o Haiti. “Ele já tinha tentado duas vezes e conseguiu na terceira para conseguir mais experiência de vida e segundo ele, para ajudar aos mais necessitados”
Em novembro passado Severino Araújo passou 13 dias com a família no interior paulista.”Disse que estava vivendo uma grande experiência de vida, que aprendeu a viver de outra forma, dar mais valor à vida e que na correria do dia deixamos passar muitos momentos bons, como deixar de dar um abraço em alguém que amamos, falar que é especial, está presente na vida dos familiares”, conta.
Alexsandra Silva declarou que tomou conhecimento do terremoto por meio da internet. “Foi desesperador porque eu estava aprontando tudo para ele retornar e naquele momento passaram todos os sentimentos. Só queria ouvir a voz dele e saber se ele estava vivo”. Como os contatos eram sempre feitos por Araújo, ela disse que não sabia como lhe localizar. “No outro dia nos falamos. Ele disse que a fila estava muito grande e muitos companheiros querendo falar com a família e só tinha um telefone para todos, por isso o contato foi rápido”.