As equipes da organização humanitária internacional de origem francesa Médicos Sem Fronteira (MSF) afirmaram neste domingo (17), em Porto Príncipe (Haiti), que "nunca viram tantos feridos graves juntos". A organização está ajudando as vítimas do forte tremor que devastou o país na semana passada.
Segundo a MSF, desde sua chegada, "as unidades cirúrgicas em Porto Príncipe funcionam sem parar" para atender o grande número de feridos devido ao sismo. "A prioridade tem sido dada aos casos mais urgentes, as equipes têm feito cesáreas e amputações. O pessoal da MSF diz nunca ter visto tantos feridos graves", disse a organização em comunicado divulgado hoje, em Paris.
De acordo com um dos coordenadores na capital haitiana, "a reação da população foi imediata quando souberam que iniciamos atividades médicas de urgência em Carrefour. A multidão se concentrou na entrada. Os pacientes chegaram em carretas ou trazidos nos ombros. Há outros hospitais na região, mas todos estão saturados pela quantidade de feridos e pelo número limitado de pessoal, material e medicamentos".
Atualmente, o MSF trabalha no hospital Choscal, no hospital de Trinité e no bairro de Carrefour.
A organização criticou ainda a confusão no aeroporto da capital. "O atraso representa uma dificuldade maior, obrigando a desviar muitos voos com cargas importantes. A falta de autorização para aterrissar no aeroporto já impediu a chegada de um hospital provisório da MSF, que é crucial", diz a ONG.
A MSF, que já tinha 30 voluntários no país, enviou mais 70 membros da equipe internacional à capital haitiana. "É cada vez mais evidente que um número importante de nosso pessoal haitiano não sobreviveu à catástrofe", finaliza o comunicado