O comandante do Batalhão de Infantaria de Força de Paz, coronel gaúcho João Batista Carvalho Bernardes, perdeu 13 de seus 1.048 militares no terremoto de magnitude 7 que devastou o Haiti na terça-feira (12) --mais do que o triplo de todas as baixas desde o início da missão no Haiti, em 2004, relata o enviado especial da Folha ao Haiti, Fabiano Maisonnave.

Apesar das perdas humanas e materiais, Bernardes assegura em entrevista à Folha que a Minustah (missão de paz da ONU), que tem o comando militar do general brasileiro Floriano Peixoto, terá condições de coordenar o trabalho humanitário, que em breve deverá ter o reforço de 10 mil militares enviados pelos Estados Unidos.

O coronel conta que as tropas reagiram muito bem à tragédia, que deixou milhares de mortos, incluindo 17 brasileiros.

"Nós nos preparamos para cenários realmente catastróficos. Quando viemos para cá, sabíamos que o país é sujeito a catástrofes. A tropa está reconstituída e está levando a missão da melhor maneira possível", disse.

Ele ressalta, contudo, que o terremoto foi uma tragédia para a qual "nunca poderemos dizer que estamos totalmente preparados". "Cada um de nós viveu dramas individuais, muitas histórias que nos foram contadas e nos sensibilizaram muito".

O terremoto aconteceu às 16h53 desta terça-feira (19h53 no horário de Brasília) e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do país.

Ainda não há um dado preciso sobre o número de mortos. A Organização Pan-americana de Saúde, ligada à ONU, diz que pode ter morrido cerca de 100 mil pessoas. Já o Cruz Vermelha estima o número de mortos entre 45 mil e 50 mil. Nesta sexta-feira, governo do Haiti afirmou estimar em 140 mil o total de vítimas.

Mais de 25 mil corpos de vítimas já foram enterrados, declarou neste sábado o primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive. "Vinte mil corpos foram oficialmente retirados pelo Estado, sem contar aqueles retirados pela Minustah [missão de paz da ONU no Haiti], pelas ONGs e pelos voluntários, que somam por volta de 5.000 a 6.000", declarou.

Segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, 17 brasileiros morreram no país --14 militares e mais três civis, entre eles a médica Zilda Arns e o chefe-adjunto civil da missão da ONU no Haiti, Luiz Carlos da Costa. O corpo de Costa foi encontrado neste sábado.

Mais 16 militares brasileiros ficaram feridos no terremoto. Eles chegaram ao Brasil nesta sexta-feira, e desde então estão internados no Hospital Geral do Exército, em São Paulo, para um período de quarentena.