O terrremoto de magnitude 7 que devastou a capital do Haiti, Porto Príncipe, na terça-feira (12) deixou até mesmo o presidente do país, René Préval, sem casa e Palácio Presidencial. Diante de uma tragédia que já matou 50 mil, incluindo 17 brasileiros, Préval tenta governar o país de uma delegacia de polícia que resistiu a tragédia.
O Palácio Presidencial, um edifício enorme e soberbo em local nobre da capital, sofreu um desmoronamento parcial. Vários prédios ministeriais também não resistiram ao tremor.
"Decidimos colocar de forma provisória a sede da Presidência e do governo nesta instalação da polícia, para estar mais perto de nossos aliados internacionais", justificou Préval.
O aeroporto de Porto Príncipe, que opera sem torre de controle, serve para conectar o Haiti com o resto do mundo. Atualmente, é controlado por centenas de soldados americanos que tentam organizar a chegada de ajuda humanitária --e que têm atrasado a chegada dos aviões da FAB (Força Aérea Brasileira), sob crítica do governo brasileiro.
Atrás da porta da sede de governo improvisada, dois guardas protegem o presidente. Na casa que fica no mesmo local, o primeiro-ministro, Jean-Max Bellerive, se reúne com os poucos ministros que podem se deslocar até o local.
Seu escritório anterior, nas colinas da capital, serve agora de albergue para centenas de famílias.
"O governo perdeu sua capacidade de funcionar, mas não está destruído", assegura o presidente, visivelmente cansado.
Sentado atrás de uma mesa redonda de 4mºº2ºº, Préval debate por telefone com seu colega dominicano, Leonel Fernandez. "Te agradeço Leonel", diz. "A comunicação está difícil, vou desligar".
Nesta situação, o governo funciona praticamente sem segurança. O presidente recorda que, poucas horas depois do tremor do dia 12, ele se deslocava de moto pela cidade, para constatar os danos causados na capital.
"Me afetou diretamente, durmo na casa de amigos. Mesmo assim, não consigo dormir há noites", conta o presidente.
Préval recorda ainda, com tristeza, que vários conhecidos e amigos morreram na tragédia, que matou milhares de pessoas, incluindo 17 brasileiros. a lista, enumera, inclui dois senadores, o escritor e geógrafo Georges Anglade e sua mulher, os pais de um ministro, os filhos de outro, um amigo de longa data. "Somos todos vítimas".
"Ninguém está sozinho. Compreendo que há gente que sofre porque tem os pais entre os escombros, mas devem saber que há milhares de pessoas na mesma situação", disse Préval.
Ele pede ainda que os haitianos tenham paciência e condena aqueles que acusam o governo de não estar agindo. "Há gente que subestima a extensão dos danos e insinua que não agimos suficientemente rápido para dar segurança. É indecente aproveitar-se da dor da gente para fazer política", criticou.
Préval lista ainda as prioridades do governo --distribuição de gasolina para facilitar o deslocamento dos sobreviventes e depois assistir, tratar e alimentar as vítimas.
Neste sábado, o presidente deve sobrevoar as cidades de Petit-Goave e Jacmel, também afetadas pelo tremor, para ter uma ideia da extensão dos danos.