A União Europeia (UE) mobilizou nesta quarta-feira um fundo de 3 milhões de euros (cerca de R$ 7,4 milhões) para ser enviado "imediatamente" às vítimas do terremoto de 7 graus de magnitude que atingiu o Haiti nesta terça-feira. Segundo estimativas da Cruz Vermelha, cerca de 3 milhões de pessoas foram afetadas pelo tremor.

Ainda não há números do governo haitiano sobre mortos ou feridos, mas as autoridades locais temem que possam chegar aos milhares diante do estado de devastação. O Ministério de Defesa do Brasil confirma que ao menos quatro militares brasileiros morreram e Planalto confirmou a morte da brasileira Zilda Arns, 75, fundadora da Pastoral da Criança.

"Trata-se de uma primeira decisão", afirmou um porta-voz da Comissão Europeia, explicando que um especialista da comunidade foi enviado para o país caribenho para elaborar um relatório preciso sobre as necessidades imediatas.

Mais cedo, a UE anunciou ter ativado seu sistema de gestão de crise para ajudar os haitianos, segundo informou o secretário de Estado francês para Assuntos Europeus, Pierre Lellouche.

"Colocamos em andamento em nível europeu todos os mecanismos de crise e ajuda para esse país vitimado", declarou à margem da reunião informal de ministros para Assuntos Europeus, organizada pela presidência espanhola.

Brasil

O governo brasileiro anunciou também nesta quarta-feira que irá doar US$ 10 milhões [cerca de R$ 17 milhões] e 14 toneladas de alimentos para auxiliar o Haiti nos esforços de reconstrução.

De acordo com o Itamaraty, um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) irá decolar a qualquer momento com o ministro de Defesa, Nelson Jobim, e o embaixador brasileiro no Haiti, Igor Kipman, que estava no Brasil.

Segundo o ministério, os donativos do governo brasileiro não serão enviados nesse voo devido à incerteza da chegada ao Haiti. O Itamaraty informou ainda que a Embaixada do Brasil em Porto Príncipe não ruiu, como foi informado anteriormente, e que na verdade o prédio sofreu rachaduras mas continua de pé.

Os funcionários da embaixada trabalham em outro local, próximo do prédio oficial.

O Itamaraty informou ainda que o governo brasileiro irá reforçar os trabalhos na Embaixada na República Dominicana, de onde irão coordenar a operação logística para o Haiti.

Brasileiros

O general de brigada do Exército brasileiro Carlos Alberto Neiva Barcellos confirmou nesta quarta-feira, em coletiva de imprensa no quartel-general em Brasília, a morte de quatro militares brasileiros no tremor. "É possível que tenhamos mais mortes", afirmou nesta quarta-feira o coronel Eduardo Cypriano, subchefe da comunicação do Exército.

De acordo com Barcellos, as quatro vítimas são: o sargento Davi Ramos de Lima, o tenente Bruno Ribeiro Mário e os soldados Antônio José Anacleto e Tiago Anaya Detimermani. Todos os militares seriam membros do 5º batalhão de infantaria-leve das forças brasileiras no Haiti.

Segundo o centro de comunicação do Exército, as mortes ocorreram fora da base do comando do batalhão do Exército brasileiro no Haiti, cujo prédio não sofreu grandes danos.

Ao menos outros dez militares ficaram feridos devido o tremor, de acordo com Barcellos. Entre eles, estão: o tenente coronel Alexandre José dos Santos, o capitão Renan Rodrigues de Oliveira, o sargento Danilo do Nascimento de Oliveira, o cabo Eugênio Pesaresi Neto e o soldado Welington Soares Magalhães Neto.

O Brasil tem 1.266 militares na Força de Paz da ONU, a Minustah, dos quais 250 são da engenharia do Exército. Os militares já tiveram participação no socorro às vítimas dos furacões de 2004 e de 2008, que atingiram o Haiti.

A força foi trazida ao país depois de uma sangrenta rebelião em 2004, que seguiu décadas de violência e pobreza. A missão é liderada pelas tropas brasileiras.

Mais vítimas

Uma fonte militar, citada pela agência de notícias France Presse, disse que três soldados jordanianos da missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) morreram no terremoto e outros 21 ficaram feridos.

Eles foram identificados como os majores Atta Issa Hussein e Ashraf Ali Jayus e o cabo Raed Faraj Kal-Khawaldeh. A mesma fonte afirmou que nenhum dos 21 feridos corre risco de morte.

A imprensa estatal chinesa informou que pelo menos oito soldados chineses foram soterrados, e que outros dez estão desaparecidos.

O chanceler francês, Bernard Kouchner, afirmou em pronunciamento nesta quarta-feira que um dos funcionários da embaixada do país no Haiti ficou gravemente ferido.

Jornalistas da agência Associated Press descrevem danos graves e generalizados pelas ruas, onde sangue e corpos podem ser vistos. Segundo a agência, dezenas de milhares de pessoas estão desabrigadas. A rede de TV CNN informou que possui imagens de mortos pelas ruas da capital haitiana, mas que são muito fortes para exibição.

Danos

Mesmo prédios importantes como o palácio presidencial e a sede da missão da ONU não resistiram e sofreram sérios danos. O subsecretário-geral para Operações de Paz da ONU, Alain Le Roy, disse em um comunicado divulgado em Nova York que a sede da missão sofreu graves danos, juntamente com outras instalações das Nações Unidas e que um grande número de pessoas que trabalham para a organização continuava desaparecido.

Há relatos de casas que caíram de barrancos e de um hotel de luxo que teria desabado, soterrando 200 pessoas. Repórteres e testemunhas relatam grande destruição e cenas sangrentas na capital, Porto Príncipe.

As comunicações foram em grande parte interrompidas, tornando impossível obter um quadro completo sobre os danos, enquanto vários tremores que se seguiram ao grande sismo continuaram a assustar a população do país, onde muitas construções são precárias. A eletricidade foi cortada em alguns lugares.

Os embaixadores do Haiti no México e nos Estados Unidos informaram que o presidente René Préval está vivo, apesar do colapso do palácio presidencial

"A situação é muito grave", especialmente nos bairros mais populares, disse Manuel durante uma entrevista coletiva de no Ministério das Relações Exteriores do México, após conversar com o vice-chanceler mexicano, Salvador Beltrán.