O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que as enchentes que deixaram milhares de desabrigados no Sul e no Sudeste do país são consequência do "acúmulo de erros" cometidos no país ao longo de décadas. Na primeira referência às tragédias provocadas pelas fortes chuvas no início deste ano, Lula disse que não existe "partido santo, prefeito santo ou vereador santo", pois todos foram coniventes com ocupações irregulares de terras públicas.
"Fomos permitindo que a sociedade brasileira fosse se amontoando de forma inadequada. Isso nos obriga não apenas a ficar com dó quando acontece uma tragédia. Porque a tragédia é uma coisa tão anormal que a gente não tem como medir. Ou seja: se você tem uma cidade em que chove em cinco horas a quantidade de chuvas que tinha que chover o mês inteiro, alguma coisa vai acontecer", afirmou.
O presidente disse que as leis proíbem a construção de casas em locais de risco, mas que as pessoas insistem em ocupar irregularmente o solo urbano. "Se um grupo de pessoas está indo morar em lugar inadequado, o prefeito não pode permitir que vá. Se construir dez casas, é amontoado de gente. Se construir mil, vira problema político", afirmou.
Lula disse que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) deve apresentar uma "grande proposta" para solucionar o problema de drenagem nos municípios brasileiros.
"Todo mundo acha normal, mas quando vem a enchente... Eu acho que a culpa é o acúmulo de erros cometidos nesse país ao longo de décadas. Temos que refletir como começar a trabalhar. Que a gente possa sonhar daqui a 20 ou 30 anos não ter mais essas tragédias", afirmou.
Chuvas
Lula disse que enquanto esteve de férias no Guarujá (SP), numa base militar, presenciou uma forte chuva que tinha força para "encher o mar".
Além de São Paulo, Estados como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul sofreram nos últimos dias com as fortes chuvas. Em Angra dos Reis (RJ), 87 bairros da cidade registram danos provocados pela enxurrada do dia primeiro de janeiro. A dimensão dos estragos causados pelos temporais está no Avadan (Formulário de Avaliação de Danos), que estima ainda em R$ 247 milhões a reconstrução do município.
Uma das vítimas que continuam desaparecidas em Angra é a menina Alessandra Carvalho, 11, procurada no morro da Carioca. Familiares aguardam o resultado de um exame de DNA feito em um corpo que está no IML (Instituto Médico Legal) de Angra desde a primeira semana do ano e ainda não foi identificado.