Por Goretti Brandão
O minicurso Tarantino: A galáxia (não) particular de Quentin Tarantino teve início ontem, no Centro Cultural Sesi. Quando perguntei aos jornalistas Ranieri Brandão e Ricardo Lessa quais as primeiras impressões sobre as oficinas, ambos, primeiramente, salientaram a surpresa que tiveram diante do número de pessoas inscritas, já que, em se tratando do assunto, Alagoas, mais precisamente Maceió, ainda engatinha para chegar a algum lugar quando a proposta é cinema. Arte cinematográfica e não filme.
Nesse aspecto é difícil trabalhar com qualquer coisa que fuja à regra do que se entende por entretenimento. O conceito que mais atente às expectativas do público, por aqui, parece - e a experiência de quem lida com cultura demonstra -, exclui ou dispensa, a acepção de outras informações, em outras instâncias. O papel do comunicador esbarra na notificação do entretenimento, pura e simplesmente. E o próprio entretenimento tem começo, meio e fim.
Para alguém se entreter, basta apenas estarem à disposição as necessidades básicas: o lugar, a música, a bebida, e como diz uma dessas músicas tocadas à exaustão: de mulher, (incluída como artigo de consumo) e o kit está feito. Não há do que se espantar com essa afirmação. Mas ficar surpreso com as pessoas que se apresentaram para as oficinas é um grande motivo de espanto. Espanto pra melhor. Devagarzinho a gente chega lá.
É como diz a velha canção, de Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, tão conhecida e cantada pelos estudantes, nos anos da repressão política no Brasil: “Quando um muro separa, uma ponte une”. Qualquer coisa brota de algum lugar, de dentro das pessoas, escapa à coerção e ao controle, e apesar de toda a obliteração existente e sistemática, de toda a política (hoje) mais sutilmente ideológica e menos repressiva fisicamente, mais exposta - como era antes -, que nos sabota, surge essa ponte. Aquela que é lançada e por onde as pessoas em resposta, a atravessam-na. O interlocutor e o receptor são os dois lados dessa mesma construção simbólica.
O desejo de conhecer, de fazer diferente, de ir além, de saber mais do que aquilo que está colocado como única(s) realidade(s), se sobrepõe. Cinema é um espetáculo só. É uma aula dialética e interminável, sobre a vida, o mundo, sobre as pessoas e as coisas que nos cercam. É um universo, uma galáxia mesmo. Mais do que uma arte, a cinematografia, o Cinema, com C maiúsculo mesmo, é um lugar. Tão mágico e tão cheio de realidades, quanto o é o real e o virtual, que se fundem, sendo uma coisa só. O limite não é possível de prescindir. O que é imagético e o que é verdadeiro (?), porque ambos admitem as duas situações.
Parabéns a Marcos Sampaio, a frente do Cine Sesi, parabéns a Ranieri Brandão e Ricardo Lessa, dois jovens jornalistas que se aventuram, acreditam e procuram imprimir seus percursos de profissionais na área de comunicação, através de um viés que pressupõe coragem, força e determinação. Paixão, amor a essa arte, sobretudo. Suas disposições devem acrescentar mais um registro na história da cultura em Alagoas, ou melhor, na tentativa de quebrar os limites existentes, de expandir essa apreensão, alargando a compreensão da arte cinematográfica.
Faz-se necessário agradecer a mídia, de um modo geral, aos jornais, especificamente e às pessoas anônimas que se propuseram a ajudar na divulgação do minicurso Tarantino. É isso! A gente tem que acreditar e fazer! Quanto às oficinas... estão já no seu segundo dia, de vento em popa. Certamente, isso é apenas o começo! Novas oficinas surgirão!