O PT protocolou requerimento pedindo o afastamento do deputado Leonardo Prudente (sem partido) da presidência da Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Segundo a deputada distrital Erika Kokay (PT), o documento foi assinado pela bancada do PT e pelos parlamentares Reguffe (PDT) e Eliana Pedrosa (DEM).
Prudente foi flagrado recebendo dinheiro do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa e guardando no terno e nas meias e orando agradecendo a suposta propina. Ele e mais sete colegas foram envolvidos no suposto esquema de arrecadação e pagamento de propina do governador José Roberto Arruda (sem partido).
Em resposta às pressões para deixar o cargo, Prudente acusou ontem a oposição de preparar um golpe. Segundo ele, o vice-presidente da Casa, Cabo Patrício (PT), é quem trabalha nos bastidores para forçar a troca de comando.
"Não é ele [Cabo Patrício] quem vai decidir sobre isso [afastamento]. Apenas os deputados vão decidir o que é melhor para a Casa", afirmou.
Durante reunião com os 22 dos 24 deputados distritais, os governistas ameaçaram apresentar um requerimento pedindo a saída do petista da vice-presidência. Os aliados de Arruda argumentam que Cabo Patrício responde a um processo de quebra de decoro parlamentar no qual é acusado de abuso de poder durante um acidente de trânsito.
"A saída do Cabo Patrício foi discutida na reunião porque ele é o principal interessado no meu afastamento", disse Prudente.
Cabo Patrício disse que não pretende se afastar da vice-presidência e que vai responder o processo na Corregedoria da Câmara. "Não aceito intimidações. Vou me defender. Quero meu processo julgado em plenário", disse.
Questionado sobre as críticas sobre a insistência em permanecer no cargo, Prudente disse que não há ilegalidade no ato. "Os trabalhos vão continuar e vou permanecer no cargo, que é um direito constitucional, e tenho um dever a cumprir", afirmou.
OAB
Ontem, o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Distrito Federal, Francisco Caputo, disse que Prudente não tem condição moral de conduzir processo de impeachment contra Arruda.
"O deputado Leonardo Prudente não tem condições morais e políticas para conduzir o processo", disse Caputo em entrevista à rádio "CBN". Ele afirmou ainda que uma comissão de advogados especialistas estuda os meios jurídicos possíveis para reverter na Justiça o quadro institucional da Câmara Legislativa.