As surpresas com a criação de gastos milionários pela direção do Senado, durante o recesso, não param. Seis meses após a ideia ter provocado polêmica e ser considerada "inoportuna" por ele próprio durante a crise na Casa, o 1º secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), autorizou a publicação no Diário Oficial de quinta-feira de edital para a construção de praça de alimentação para atender servidores e parlamentares. Como informou nesta sexta-feira o jornal "Estado de São Paulo", o custo é de R$ 1,9 milhão. A licitação deverá ser realizada em 9 de fevereiro para que a obra seja inaugurada em três meses.
Em agosto passado, a estimativa de gasto - prevista pelo Departamento de Engenharia da Casa para a construção de 800 a mil metros quadrados inicialmente - era R$ 1,5 milhão. Pelo edital, o preço subiu em R$ 400 mil, e o número de lanchonetes passou de duas para quatro.
- A obra foi autorizada para atender demandas até mesmo de jornalistas - justificou o 1º secretário. - Fizemos apenas uma adaptação no projeto original da famosa praça da alimentação, que era desproporcional. A ideia é que as novas instalações sejam administradas pelo Sesc e Senac em restaurantes e lanchonetes-escola. A exemplo do que já ocorre na Câmara.
Ano passado, porém, Heráclito mostrou-se contrariado com a iniciativa do diretor-geral do Senado, Haroldo Tajra:
- Esse assunto não passou pela 1ª Secretaria. Não aprovei a ideia, e não é hora de discutir isso - disse à época.
A praça ficará em um dos estacionamentos externos do Senado, onde funciona um quiosque, e deverá ser inaugurada antes de julho, quando começa um recesso branco da Casa, por causa das eleições.
A exemplo do ano passado, a proposta divide opiniões.
- Estas coisas não devem sair em ano de eleição. É o tipo de obra que pode aguardar. Os custos devem ser verificados com cuidado. O compromisso da Mesa era discutir previamente com a Casa. Lançar um edital só serve para ridicularizar a instituição - condenou o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
O presidente da Comissão de Fiscalização e Controle do Senado, Renato Casagrande (PSB-ES), lembrou que Heráclito já havia adiantado a intenção de autorizar a obra. Mas lamentou que tenha ocorrido no recesso.
- Construir uma praça de alimentação para os servidores da Casa não é exagero, já que a instituição dispõe de apenas um restaurante para dez mil funcionários. O ruim é o formato desse procedimento que parece sempre buscar fórmula que foge do debate. O ideal seria que esse tipo de coisa não ocorresse no recesso parlamentar.