A líder do PT na Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputada Érika Kokay, pediu o acompanhamento de promotores do Ministério Público do Distrito Federal no retorno dos trabalhos da Casa na próxima segunda-feira.

Segundo a deputada distrital, o pedido foi feito na última sexta-feira. O motivo é evitar, segundo ela, o uso de recursos públicos para levar à Câmara Legislativa manifestantes à favor do governador José Roberto Arruda, investigado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, suspeito de participar do mensalão do DEM. A acusação é de envolvimento em esquema de pagamento de propina para parlamentares da Câmara Distrital e assessores do governo.

"Isso aconteceu no ano passado. Não podemos permitir esse uso da máquina pública", disse a deputada. Ainda não houve resposta do Ministério Público sobre o pedido.

Kokay disse que também na próxima segunda-feira será feito pedido de afastamento do presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (sem partido). Prudente é visto em um vídeo colocando dinheiro, do suposto esquema de propina, nas meias. A ideia é que o pedido de afastamento seja votado no mesmo dia.

O deputado distrital recusou o pedido feito por seus colegas da Mesa Diretora para se afastar do cargo enquanto a Casa investiga o esquema de pagamento de propina. Prudente se licenciou do cargo depois do início da Operação Caixa de Pandora.

O pedido para que não voltasse a assumir a presidência da Câmara Legislativa foi feito pelos deputados distritais Wilson Lima (PR), Mílton Barbosa (PSDB) e Cabo Patrício (PT), membros da mesa diretora, em uma reunião informal na tarde da última sexta-feira.

Entenda o caso

O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no fim de novembro de 2009, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.