Certa feita, Guiñazu jogou uma partida inteira com um buraco no joelho. Correu de um lado a outro do campo por mais de uma hora como se nada tivesse acontecido. Em outra situação, fraturou o cotovelo, foi atendido na beira do gramado e quis voltar a campo. Quando o médico do Inter disse que não, o argentino virou bicho. Quase pegou o pobre do doutor pelas orelhas. Para um sujeito que corre na esteira em casa depois de trabalhar em dois turnos e treina diariamente nas férias, ser chamado de “el loco” pelos colegas é justificável. Mas agora, graças a um susto, uma das loucuras do gringo será eliminada.
Guiñazu prometeu não treinar mais de mangas compridas em dias de calor. Desde 2007, quando o jogador chegou ao Inter, causava perplexidade ver o argentino correndo pelo Beira-Rio com um moletom ou uma capa de chuva por baixo da camiseta. Ele dizia que era para suar mais. O preço foi pago nesta sexta-feira, durante a pré-temporada, em Bento Gonçalves. Ele quase desmaiou no elevador. Teve tonturas e cãibras abdominais. O departamento médico analisou o atleta e detectou desidratação nele – problema influenciado, muito provavelmente, pelo uso das mangas compridas.
Foi a senha para o argentino mudar de ideia. Ele prometeu usar apenas camiseta a partir de agora.
- Ele já recebeu essa orientação outras vezes, mas desta vez aceitou. Ele me disse que não vai mais usar – disse o médico Luiz Crescente.
Guiñazu passa bem. Ele repousou na manhã deste sábado e deve treinar normalmente à tarde. Normalmente mesmo, sem essa de roupa de inverno em pleno calor.