Os americanos vão sentir "certo choque" com o relatório que a Casa Branca divulgará nesta quinta-feira sobre lapsos de segurança ocorridos na tentativa de explodir um avião comercial com destino a Detroit no dia de Natal, disse o assessor de segurança nacional James Jones, em entrevista ao "USA Today".

O presidente Barack Obama está "justificada e corretamente alarmado pelo fato de que coisas que estavam disponíveis, pedaços de informações e padrões de comportamento dos quais se tinha conhecimento, não resultaram em nenhuma ação prévia," afirmou Jones na entrevista publicada nesta quinta-feira.

O assessor principal de Obama para questões de segurança e política externa considerou que a inteligência americana falhou recentemente não só no ataque ao avião mas também em novembro, quando o major Nidal Hasan, psiquiatra do Exército dos EUA, atirou contra várias pessoas na base de Fort Hood, no Texas. Em ambos os casos, as autoridades não tomaram medidas de prevenção apesar de indícios anteriores de problemas.

Jones sugeriu que o relatório mostrará que a administração Obama agora está preparada e atenta. "Sabemos o que aconteceu, sabemos o que não aconteceu e sabemos como resolver o problema", afirmou ao jornal. "Isso deve ser um aspecto encorajador. Não precisamos reinventar nada para assegurar que não se repita."

Obama fará um discurso sobre o assunto por volta das 13h (16h no horário de Brasília) desta quinta-feira.

A expectativa é que o documento apresente recomendações de como acabar com as brechas na segurança, incluindo mudanças nos procedimentos de verificação e revista de passageiros e nas listas de suspeitos de terrorismo a serem monitorados.

O presidente já reconheceu que houve uma "falha" de segurança que, segundo autoridades, permitiu que um nigeriano embarcasse em Amsterdã com destino a Detroit com explosivos costurados em sua cueca. Os explosivos acabaram não detonando.

O suspeito Umar Farouk Abdulmutallab foi indiciado por um grande júri federal na quarta-feira por tentativa de homicídio de 289 passageiros e tripulantes no voo 253 da Northwest Airlines e por tentativa de uso de arma de destruição em massa.