O nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, que tentou explodir um avião americano no dia de Natal, foi recrutado pela rede terrorista Al Qaeda quando estava em Londres, no Reino Unido, afirmou nesta quinta-feira o vice-primeiro-ministro iemenita, Rached al Alimi.
"A informação que nos foi dada é de que Umar Farouk entrou para a Al Qaeda em Londres", disse Al Alimi, em entrevista coletiva na qual revelou que o nigeriano se encontrou com um clérigo radical no Iêmen, conhecido ideólogo da guerra contra o Ocidente da Al Qaeda.
O vice-ministro, contudo, não deu mais detalhes sobre como ou quando exatamente o recrutamento foi feito.
Abdulmutallab, que é filho de um banqueiro nigeriano, concluiu no ano passado um curso de engenharia na londrina University College London (UCL), onde estudou de 2005 a 2008. Ele teve a renovação do visto negada depois de se inscrever em um curso falso.
O pai do nigeriano, Alhaji Umaru Mutallab, ex-ministro e presidente do First Bank na Nigéria, confirmou que seu filho estudava em Londres, mas disse não saber seu paradeiro "por algum tempo".
Segundo Al Alimi, Abdulmutallab se reuniu durante sua estadia no Iêmen com o imame (ministro da religião muçulmana) radical Anwar Al Awlaqi.
Awlaqi é um pregador popular entre membros da rede terrorista Al Qaeda por convocar uma guerra ao Ocidente. O nome do imame aparece ainda vinculado com o major Nidal Malik Hasan, que matou 13 pessoas a tiros na base militar de Fort Hood, no Texas (EUA), em 5 de novembro passado.
O imame trocou os EUA pelo Iêmen, em 2002. Desde então, suas pregações pró-Al Qaeda apareceram nos computadores de vários suspeitos em casos de terrorismo nos EUA, Canadá e Reino Unido. Segundo as Forças Armadas do Iêmen, ele teria morrido em um ataque no último dia 24 na Província oriental de Shabwa que matou 30 membros da Al Qaeda.
Segundo ele, Abdulmutallab também se reuniu com Chabwa Mohammad Umir, um dos líderes da Al Qaeda que morreu em um bombardeio aéreo do dia 24 de dezembro contra um reduto da rede terrorista no Iêmen.
O ministro de Informação iemenita, Hassan al Louzi, disse recentemente que a movimentação do nigeriano no país está "sob investigação".
Segundo as primeiras investigações, Abdumutallab teria viajado ao Iêmen recentemente e teria pego lá o explosivo e as instruções de como utilizá-lo.
Voo
O nigeriano Abdulmutallab tentou detonar um pequeno explosivo no voo da Northwest Airlines que seguia da Nigéria para os EUA, com escala em Amsterdã. Segundo relata o jornal "Washington Post", que cita autoridades federais, ele teria colado um material na sua perna e então utilizado uma seringa para misturar produtos químicos com um pó, já a bordo do avião.
Ao fazê-lo, contudo, ele teria se incendiado. As pessoas a bordo logo sentiram um cheiro de fumaça e barulho semelhante a fogos de artifício.
Com a ajuda de um tripulante, um passageiro rapidamente se jogou em cima do nigeriano, o dominou e isolou, segundo relatou o passageiro Syed Jafry à CNN. O avião conseguiu aterrissar de maneira segura, aproximadamente às 13h de sexta-feira (25) (horário local).
O FBI está encarregado de investigar o incidente. Embora Abdulmutallab não estivesse em nenhuma lista de restrição para voos, seu nome apareceu nos arquivos da inteligência por vínculos suspeitos de terrorismo.
Segundo as redes de TV ABC e NBC, Abdulmutallab estuda engenharia na University College London. Ele disse as autoridades que tem laços com a Al Qaeda e que viajou ao Iêmen para pegar o equipamento incendiário e instruções de como utilizá-lo.
As autoridades, contudo, ainda têm que checar estas alegações e devem fazer muitos outros interrogatórios antes de determinar se as revelações do nigeriano são críveis.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ordenou reforço da segurança aérea e criticou duramente as falhas do serviço secreto que permitiram que o nigeriano embarcasse com explosivos.