A oposição acusou nesta terça-feira o governo federal de negligência na gestão da infraestrutura do país, o que teria agravado as consequências das chuvas e enchentes no Sul e Sudeste do Brasil. Parlamentares do DEM e PSDB afirmaram que o governo, ao não investir em ações de infraestrutura em regiões tradicionalmente atingidas pelas chuvas, permitiu a má ocupação de áreas públicas que sofreram com as enchentes e deslizamentos de terra no início deste ano.
"Isso é um retrato claro de como anda a infraestrutura do país em termos preventivos e de construção. São os fusíveis da deficiência da infraestrutura estourando. O governo não priorizou o setor. Claro que ocorrem intempéries climáticos, mas não há o cuidado devido com a infraestrutura", disse o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).
Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), o governo federal errou ao não priorizar investimentos em áreas tradicionalmente atingidas por enchentes. "Eu vejo como sendo negligência, independentemente de ser este ou aquele governo, que são imediatistas, que têm preocupação com o mandato e não com o futuro do país", afirmou.
Segundo o tucano, as tragédias em Angra dos Reis (RJ), São Paulo e no Rio Grande do Sul são consequências da má gestão do governo federal aliada às fortes chuvas. "Fenômenos naturais não trariam esse tipo de consequência se houvesse planejamento. Não houve por parte do governo Lula nenhuma ação que tivesse por objetivo prevenir. Assistimos todos os anos à mesma repercussão dos fatos", afirmou Dias.
Em defesa do governo, o líder do PT na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (SP), disse que o discurso da oposição não se sustenta uma vez que cabe diretamente aos governos estaduais e às prefeituras gerir os municípios --muitas delas em mãos do DEM e PSDB. "Quem tem que cuidar da ocupação pública são os municípios. Que governo eles estão criticando, o do Serra, em São Paulo? Quem tem que fazer limpeza de bueiro são os municípios", afirmou.
Na opinião do petista, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um dos que mais investiu em infraestrutura na história do país. "O governo federal nunca teve tanto investimentos em infraestrutura como no governo Lula. A oposição deveria ter mais juízo. No caso de São Paulo, há problema de gestão e incompetência nas questões da cidade e do Estado."
Tragédias
A Brigada Militar do Rio Grande do Sul confirmou por volta das 15h20 desta terça-feira que dez pessoas foram resgatadas com ferimentos leves do rio Jacuí após a queda de uma ponte na rodovia RS-287 na manhã de hoje, na divisa dos municípios de Restinga Seca e Agudo.
Informações preliminares apontavam que sete pessoas teriam morrido, mas os bombeiros não confirmaram. A corporação afirmou que as pessoas resgatadas relataram que a queda de cerca de 100 metros da ponte fez com que cerca de 30 pessoas e dois carros caíssem no rio Jacuí, que está acima do nível devido às chuvas dos últimos dias.
Em Angra dos Reis (RJ), até a tarde de hoje, foram registradas 52 mortes no município, sendo 31 na Ilha Grande e 21 no morro da Carioca, no centro da cidade. Com isso, há 74 mortos confirmadas em decorrência das chuvas no Estado do Rio.
Ontem, o vice-governador e secretário de Obras do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), sobrevoou Angra e afirmou que, ao lado de técnicos, identificou cerca de 40 pontos de risco de deslizamentos.
Já em São Paulo, à cidade de São Luiz do Paraitinga foi a mais afetada pelas chuvas no Estado. Devido ao entulho nas ruas, o trânsito pela cidade ainda não está liberado, apesar de a água já ter baixado no município. O fornecimento de energia elétrica e o abastecimento de água voltaram na noite de ontem à cidade.