Classificado como tabua de salvação para que os clubes esportivos melhorem suas receitas e deixem de depender da venda de jogadores ou de dinheiro público, o Sócio-Torcedor vem sendo implementado nos últimos anos com sucesso em várias entidades esportivas tradicionais do Brasil.

Em Alagoas, como não poderia ser diferente, os principais clubes buscam alternativas para aprimorar sua estratégia de marketing e assim criar novas receitas para viabilizar a gestão dos elencos.

Mas no Estado um fato tem chamado a atenção no início deste ano, é que o vice-presidente de Marketing da Federação Alagoana de Futebol, e ex-vice-presidente do CSA, Alberto Mirindiba Bonfim, será o responsável pela gestão dos programas sócio-torcedor dos três principais clubes de Alagoas, CRB, ASA e CSA.

O Cadaminuto apurou que o próprio presidente da FAF, Gustavo Feijó apresentou o diretor aos presidentes do clube e fez um pedido pessoal para que os três clubes fechassem contrato com a empresa de Mirindiba, inclusive participando da demonstração do Plano de Mídia.

O problema é que a empresa que está fechando contrato com os clubes, a Clorus Comunicação e Marketing é uma pequena agência de publicidade com sede e CNPJ em Alagoas, que se diz representante da Clorus Criative, uma empresa de criação de arte com sede em Londres.

A reportagem do Cadaminuto teve acesso ao contrato que já foi assinado pelo CRB e deve ser assinado pelo ASA e pelo CSA e nele fica claro que a gestão de marketing e a coordenação de imprensa além do programa sócio-torcedor será feita pela mesma empresa em um prazo de três anos.

Além dos clubes alagoanos, mesmo sendo rivais, estarem sob contrato com o marketing, a imprensa e o sócio-torcedor com a mesma empresa, ela impede que ASA,CRB e CSA contratem qualquer profissional ou serviço que possa ser relacionado ao marketing e a imagem do clube, conforme pode ser constatado abaixo:

CLÁUSULA DÉCIMA QUINTA – DA EXCLUSIVIDADE

A execução do objeto deste contrato é exclusiva da CESSIONÁRIA, não podendo a CEDENTE , durante o período deste contrato, sob pena de violá-lo, contratar outras empresas para realizar os mesmos serviços aqui ajustados.

Durante as reuniões o representante das empresas chegaram a explicar aos diretores, tudo com a concordância do presidente da FAF, que investiriam cerca de R$ 100 mil reais no clube, embora no contrato que o Cadaminuto teve acesso não exista nada que obrigue a empresa a isto.

Empresa Clorus

O Cadaminuto falou com os diretores da empresa Clorus e eles confirmaram que seriam representantes da empresa Clorus Creative de Londres, mas o seu CNPJ é de Maceió e foi protocolado Clorus Comunicação Integrada LTDA, que apesar da coincidência não é a mesma que a de Londres.

Os diretores da empresa falaram que Alberto Mirindiba seria apenas um parceiro e que o contrato assinado com os clubes seria mesmo gerido pela empresa, o diretor confessou ainda que a única experiência que eles tiveram com marketing esportivo foi com uma equipe de Rugby da segunda divisão inglesa, embora até este contrato tenha sido realizado pela empresa de Londres, diferente do que está escrito no contrato entregue aos clubes:

a) Que a CESSIONÁRIA se dedica à atividade de Marketing e Comunicação Integrada, especialmente em Marketing Esportivo.

A Clorus se apresenta como uma agência de publicidade , sendo que no seu portfólio ele apresenta trabalhos de design e até presta serviços a outra empresa de publicidade em Alagoas, no caso a Chama, mas não existe outras experiências como assessoria de imprensa ou gestão do marketing de qualquer empresa.

Alberto Mirindiba

Depois de uma passagem criticada pela vice-presidência do CSA onde foi acusado de operar negócios em sociedade com o então presidente Abel Duarte, o atual vice-presidente de marketing da FAF, Alberto Mirindiba foi ouvido pelo Cadaminuto e confessou que era ele que iria ficar a frente deste trabalho nas três equipes.

Para a reportagem ele contou uma história diferente do que foi apresentado pela Clorus e disse que esta empresa seria apenas mais uma de muitas que trabalhariam no projeto e que a utilização do CNPJ dela aconteceu por ela ter o objeto mais próximo do que vai ser executado.

Ele negou que irá tomar conta do marketing dos clubes dizendo que seu trabalho seria apenas uma consultoria, mas ele reconheceu que o sócio-torcedor estaria sob o seu controle assim como a coordenação de imprensa.

“Não vejo nenhum conflito em gerir ações de marketing dos três clubes, mesmo sendo eles rivais, acho que o futebol alagoano precisa de incentivos e acredito plenamente neste projeto” explicou ele.

Alberto reconhece que o torcedor quer que as coisas do seu clube não sejam feitas por outras pessoas, mas nada do que for feito será realizado sem a anuência do clube, explicou ele.

Contrato

Além da confusão da utilização da empresa e da participação da Federação Alagoana de Futebol o contrato que está sendo assinado pelos clubes alagoanos mostram uma amplitude bem maior do que uma simples consultoria

CLÁUSULA PRIMEIRA – DO OBJETO


a) Prestação, pelo CESSIONÁRIA, dos serviços de consultoria de imagem, planejamento e execução de serviços para torcedores, conselheiros e parceiros do clube, reformulação e manutenção de site, captação e gerenciamento de receitas provenientes dos seus serviços, realização de eventos, instalação de loja virtual, Licenciamento de produtos com a marca do clube, merchandising e patrocínios, bem como outros que possam ser solicitados pelo CEDENTE ou propostos pelo CESSIONÁRIA, desde que acordado entre as partes.
b) Cessão do uso do nome e da imagem da CEDENTE, onde a CESSIONÁRIA fica autorizada a utilizar nos limites do objeto deste contrato;
As ações para execução dos serviços do presente objeto são privativas da CESSIONÁRIA, seus colaboradores, associados e prestadores de serviços, somente podendo este transferir a terceiros com a expressa autorização do CEDENTE

CLÁUSULA SÉTIMA - LICENCIAMENTO
O Clube, proprietário da marca, ou seja, possuidor legal do direito de explorar comercialmente o logo, escudo, mascote, cores, emblemas, imagens, conteúdos de imagem, fonográficos e todo conjunto que faça alusão a seu nome (marca) autoriza a CESSIONÁRIA, a negociar em seu nome, em caráter exclusivo, a exploração de sua marca por terceiros, mediante uma contrapartida de Royalties, que é uma taxa financeira ou percentual atribuído a título de remuneração pelo uso contínuo da marca.

O mais estranho é que mesmo após os três anos a empresa ganha preferência na renovação do contrato, o que pode causar problemas jurídicos para os clubes que quiserem se desligar da empresa.


CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA – DO PRAZO E DA PREFERÊNCIA PARA RENOVAÇÃO

a) O presente contrato por prazo determinado da data da assinatura do presente contrato até 31 de dezembro de 2012, onde as obrigações aqui assumidas vinculam as partes, sob as penas da Lei, a partir da assinatura do presente instrumento, podendo ser prorrogado automaticamente por igual período, caso não ocorra o que prescreve as alíneas seguintes deste instrumento;
b) Fica assegurada à CESSIONÁRIA, desde já, a preferência para prorrogação do presente em bases idênticas às constantes de eventual oferta de concorrente, sendo certo que tal preferência ficará automaticamente cancelada nas hipóteses deste contrato vir a ser terminado por qualquer motivo antes do final do prazo previsto na alínea “a” desta cláusula, valendo lembrar que as partes sempre buscarão um aspecto consensual entre si.


O Cadaminuto apurou que o contrato já foi fechado com o CRB, já foi aprovado pelo presidente do ASA e de acordo com uma fonte dentro do CSA já estaria bem encaminhado dentro do clube azulino.