Em meio às acusações de participação no esquema de corrupção no Distrito Federal, o governador José Roberto Arruda (sem partido-DF) reuniu sua equipe de governo nesta terça-feira a portas fechadas para dar início aos trabalhos do governo do DF em 2010. Sem mencionar a crise política, Arruda e os secretários divulgaram nota oficial após a reunião para prestar contas sobre as principais ações do governo do DF no ano passado --além das metas para 2010.
Interlocutores do governador afirmaram que a crise não foi o tema da reunião, que teve como objetivo fazer um planejamento do governo para este ano. Na nota, o governador afirma que o DF está com as suas contas de 2009 em dia, além de prometer cumprir o cronograma das obras realizadas no Distrito Federal dentro do prazo prometido.
"Todas as 2.034 obras estão com seus cronogramas em dia e serão inauguradas nas datas previamente marcadas", diz a nota.
Desde o início da crise, em novembro do ano passado, Arruda tem evitado aparecer publicamente. No final de dezembro, o governador fez apenas uma referência indireta à crise ao participar da cerimônia de assinatura de um decreto com benefícios para a Polícia Militar e para o Corpo de Bombeiros.
Na ocasião, o governador disse que vive um "momento de grande sofrimento". Arruda é acusado de participar de um esquema de desvio de recursos dos contratos do GDF (Governo do Distrito Federal), especialmente, no setor de informática. Parte do dinheiro serviria para pagar propina a parlamentares da Câmara Legislativa do Distrito Federal em troca de apoio a projetos de seu interesse ou para referendar contratos. As empresas repassariam o dinheiro ao GDF, que o encaminharia à base governista.
O esquema foi denunciado pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, em troca do benefício da delação premiada. Durval gravou vídeos mostrando Arruda, deputados distritais e empresários recebendo dinheiro da suposta propina.
Em depoimento ao Ministério Público, Durval disse que Arruda teria recebido R$ 3 milhões e o vice-governador do DF, Paulo Octavio (DEM), pelo menos, R$ 200 mil.
Na primeira parte da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, realizada no dia 27 de novembro, a PF cumpriu 29 mandados de busca e apreensão em gabinetes de órgãos públicos, residências e empresas localizadas em Brasília (DF), Goiânia (GO) e Belo Horizonte (MG).
Além de Arruda, os deputados distritais Roney Nemer (PMDB), Berinaldo Pontes (PP), Benício Tavares (PMDB), Benedito Domingos (PP), Leonardo Prudente(DEM), Eurides Brito (PMDB), Júnior Brunelli (PSC), Pedro do Ovo (PRP), Aylton Gomes (PMN) e Rogério Ulysses (PSB) são acusados de participar no esquema de corrupção.