As eleições deste ano prometem movimentar a economia alagoana com a geração de empregos no setor de serviços, principalmente devido a abertura de vagas temporárias nas gráficas e empresas de publicidade. No Estado as gráficas geram cerca de 2 mil empregos e já começaram a sentir a demanda no final de 2009, com a produção de panfletos, calendários e revistas de políticos que pretendem prestar contas de sua atuação ou se reeleger.
Apesar de algumas mudanças nas campanhas eleitorais, como a liberação da internet e a legalização de doações de entidades para os partidos políticos, a mini reforma, aprovada em setembro do ano passado manteve a proibição da confecção de materiais ou brindes que influenciem o eleitor, como camisas, chaveiros, canetas e bonés. Mas, a propaganda oficial só será liberada no início de julho e fiscalizada por um juiz designado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
O economista Laurentino Veiga explicou que o setor de serviços será o mais aquecido este ano, embora movimente indústrias e o comércio, por atuar de forma integrada. “Quando o salário do funcionalismo é pago no dia 11 as vendas aumentam. Há um aquecimento no consumo, o pagamento da dívidas e novas compras”, ressaltou.
“Em ano eleitoral um marketeiro ganha muito dinheiro e tem uma equipe formada por repórteres fotográficos e jornalistas, que vendem a imagem do candidato, mesmo se ela for suja. As eleições acabam injetando recursos em muitas áreas e aqueles sem carteira assinada também saem ganhando. Até o guardador de carros fatura, levantando bandeiras de políticos nas ruas”, afirmou o economista.
Veiga lembrou que no período eleitoral há muita movimentação de dinheiro em todo país e em Alagoas essa verba será utilizada para contratação de jornalistas, assessores, marketeiros e pessoal de apoio. O economista afirmou ainda, que apesar da geração de empregos, há o lado nocivo das eleições.
“Alagoas terá direito a duas vagas para senadores, nove para deputados federais e 27 para estaduais. Para um Estado pobre, desprovido de indústrias a geração de empregos, a partir dessas candidaturas, vai ajudar. Porém, os corruptos, que desviaram dinheiro público continuarão na disputa. O TSE, o TRE e o TJ são complacentes e a cassação de dois vereadores de Maceió e a prisão de um juiz foi excessão, quando deveria ser a regra”, destacou Veiga.
O juiz eleitoral André Granja lembrou que algumas práticas poderão ser coibidas pelo Ministério Público, como a propaganda antecipada. Ele lembrou que a promoção pessoal de pré-candidatos ainda é algo comum em Alagoas e não há proibição e ainda, que os detentores de mandatos podem divulgar suas realizações como forma de prestar conta aos eleitores, mas sem mencionarem a possível candidatura ou promessas eleitorais.
“Materiais como botons não são proibidos, mas dependendo da situação, o MP pode entrar com uma representação contra o político ou partido que fizer publicidade irregular. A justiça eleitoral designa um juiz para orientar os partidos e como punição, pode ser solicitada a retirada da propaganda, apreensão dos materiais ou cassação da candidatura”, explicou Granja.
Segundo José Enaldo Marques, proprietário da Grafmarques e integrante da diretoria do Sindicato dos gráficos, a maioria das empresas do setor trabalha em horários estratégicos para suprir a demanda, que começa a ser sentida ainda no final do ano pré-eleitoral. Ele ressaltou que a Grafmarques já atuava em dois turnos e que este ano vai aumentar para três.
“O trabalho também é feito durante a noite, ao contrário de outras gráficas. No final de 2009 recebemos muitos pedidos para confecção de calendários, revistas, jornais e adesivos de políticos que prestaram contas de suas ações ou que vão se candidatar. Temos uma equipe fixa de funcionários, que tira férias e alterna os horários. Em julho os pedidos vão se intensificar, com cartazes e adesivos”, contou Marques.
Ele destacou que algumas gráficas não atuam no segmento político e têm contratos anuais com empresas como Senai e Senac e ainda, que o faturamento depende da quantidade de materiais solicitados. “Geralmente há contratação de pessoal no ano eleitoral, mas não há preços fixados nos produtos. O setor é importante para o Estado, mas falta qualificação, por isso há cursos para estimular a profissão”, explicou