Fontes de segurança acreditam que o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, acusado de tentar cometer um atentado em um voo de Amsterdã para Detroit no Natal, foi recrutado e preparado pela Al-Qaeda quando estudava na University College London (UCL). Segundo publica nesta quarta a versão online do jornal Times, é grande o índice de radicais islâmicos em universidades londrinas.
Quando estudava na capital inglesa, Abdulmutallab organizou uma conferência intitulada "War on Terror Week". O período corresponderia à época em que ele ingressou no radicalismo político. O nigeriano chegou a presidir a Sociedade Islâmica da universidade, onde reunia diversos oradores para falar sobre temas como as torturas a presos em Guantánamo.
Autoridades inglesas dizem ter evidências - anteriores ao atentado frustrado no voo para os EUA - de que extremistas têm se infiltrado em círculos políticos e religiosos de estudantes para identificar e recrutar possíveis colaboradores.
Abdulmutallab, 23 anos, é o quarto presidente de uma associação islâmica de estudantes em Londres que enfrenta acusações de terrorismo em três anos. O nigeriano deixou a UCL no ano passado e, este ano, teve o visto negado pelo governo britânico, depois de tentar se matricular em um curso falso.
O treinamento do suposto terrorista teria começado quando ele deixou Londres e se mudou para o Iêmen, aparentemente para estudar árabe. Empregados, professores e estudantes do Instituto da Língua Árabe em Sana, onde Abdulmutalab se inscreveu, disseram que o nigeriano assistiu aulas somente no mês do Ramadã, que começou no final de agosto, e permaneceu no país até o início de dezembro.
Abdulmutalab declarou a autoridades americanas, após ser detido, que recebeu treinamento e instruções de agentes da Al-Qaeda no Iêmen. De acordo com autoridades iemenitas, o jovem nigeriano teria morado no país também entre 2004 e 2005.
Atentado
Omar Farouk AbdulMutallab está detido desde o dia 25, depois de tentar explodir um avião que transportava 300 passageiros entre Amsterdã e Detroit, no Michigan. Uma audiência planejada para segunda-feira para analisar o DNA do suspeito foi cancelada. A amostra é necessária para comprovar o envolvimento do nigeriano no caso, por meio da comparação com as evidências encontradas no avião da Northwest Airlines.