A agricultora Josefa Mota da Silva, de 37 anos, é assentada do Assentamento Itabaiana, em Maragogi, e há cerca de cinco meses, a família dela foi credenciada para obtenção de uma unidade de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais), que ajudou a aumentar a renda familiar.
Desde que a unidade foi instalada, dona Josefa teve um incremento na renda e levou alimentos para vender em feiras territoriais da cidade. “Aqui eu produzo e vendo galinha caipira, peru, guiné, couve, repolho, banana, mandioca, brócolis, coco, coentro e pimentão”, conta a agricultora, que recebe a ajuda do marido e de dois filhos para trabalhar na unidade do Pais.
Nessa primeira fase, 12 municípios do Litoral Norte foram credenciados para a implantação de 60 unidades do Pais, que prioriza a capacitação de agricultores familiares, assentados e quilombolas em tecnologias sociais para a produção de alimentos saudáveis, de forma sustentável e com preservação do meio ambiente.
Agora, o Pais foi incorporado ao Programa Alagoas Mais Alimentos, que inclui também o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) Compra Direta com Doação Simultânea e o Programa de Sementes, executados pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri).
O lançamento do Alagoas Mais Alimentos — Modalidade PAIS ocorreu nesta terça-feira (29), em Maragogi, com a presença do secretário de Estado da Agricultura, Jorge Dantas, do prefeito do município, Marcos Madeira, do deputado estadual Fernando Toledo, da secretária de Estado adjunta da Assistência e do Desenvolvimento Social, Juliana Vergetti, e da diretora técnica do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/AL), Renata Fonseca; além de superintendentes, diretores e secretários municipais de Agricultura da região.
Investimentos somam R$ 7 milhões — Durante a apresentação do Programa Alagoas Mais Alimentos — Modalidade Pais, o secretário Jorge Dantas frisou que não são apenas os municípios do Litoral Norte que estão sendo credenciados. Segundo ele, além das 60 unidades para essa região, outras 630 estão sendo instaladas no restante do Estado com recursos oriundos do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep) e do Sebrae/AL, num total de R$ 7 milhões.
“O foco do programa é a produção de alimentos de forma integrada ao meio ambiente, e para isso as famílias vão ter uma assistência técnica específica. Também estamos priorizando a comercialização, e um dos mercados para escoamento dessa produção são as prefeituras, pois a partir de janeiro, as unidades públicas educacionais devem adquirir, no mínimo, 30% da merenda da produção de agricultores familiares”, ressaltou Jorge Dantas, que também salientou o interesse das prefeituras municipais para que o programa tenha êxito e chegue às famílias do campo.
Segundo o prefeito de Maragogi, Marcos Madeira, a zona rural do município está passando por uma fase de desenvolvimento e em breve todas as comunidades rurais terão energia elétrica. “O diálogo entre as famílias de agricultores melhorou bastante, e os resultados estão aí. Temos central de compras da Conab, vários açudes foram construídos, as estradas não são mais fechadas durante as manifestações e a cooperativa Cooates já ganhou um prêmio nacional”, afirmou o prefeito. Maragogi é o município alagoano com o maior número de assentamentos da reforma agrária: são 21 no total.
Como funciona o Pais — Na unidade do Pais instalada na propriedade de dona Josefa, nada se perde. E é justamente essa a intenção do programa, que trabalha de forma integrada com o meio ambiente. As culturas são plantadas em círculos, e no centro fica uma estrutura coberta para a criação de pequenos animais, geralmente aves.
Ao redor, estão as culturas de ciclo mais curto, como as hortaliças, e nas circunferências maiores estão as culturas de ciclo mais duradouro, como a banana, a macaxeira e os coqueiros de pequeno porte. Logo ao lado fica um reservatório de água, de onde a água desce por gravidade. Para chegar até essa caixa d’água, uma bomba capta o líquido da fonte mais próxima, normalmente um poço ou açude.
Por meio desse sistema, até o esterco das aves é aproveitado e serve para adubar a plantação, que não utiliza adubos químicos. O custo total para a implantação de uma unidade do Pais é em torno de R$ 7,5 mil, que inclui toda a estrutura para irrigação, a compra dos primeiros animais, as sementes, os insumos, as ferramentas, a caixa d’água, a bomba elétrica e a capacitação da família.
Até o início de 2010, um edital será lançado pela Seagri para a seleção de municípios e instalação de 330 unidades do Pais. “É preciso que o gestor municipal demonstre interesse, e a comunidade, bem como as organizações sociais, devem fazer essa cobrança”, frisou a superintendente de Fortalecimento da Agricultura Familiar da Seagri, Inês Pacheco.