Os esforços diplomáticos e a exposição internacional do Brasil durante o governo Lula não deixaram o país mais perto de conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU), disseram especialistas ouvidos pelo R7.

Durante todo o seu mandato, iniciado em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu na necessidade de uma reforma no órgão e fez campanha junto a governantes de todo o mundo para que o país recebesse uma cadeira permanente.

Conseguiu aliados importantes, como o presidente da França, Nicolas Sarkozy, cujo país é membro permanente do conselho ao lado de Estados Unidos, Rússia, China e Reino Unido.

Mas, para os especialistas, o contexto de crise internacional e a relutância principalmente de Estados Unidos e China criaram uma barreira que não deve ser superada no curto prazo.

Para Marcelo Fernandes de Oliveira, professor de Relações Internacionais da Universidade Estadual Paulista (UNESP), o debate só poderá ser retomado depois que a crise econômica internacional for solucionada:

- Somente após o fim completo da crise é que as grandes estruturas internacionais, inclusive o Conselho de Segurança, poderão ser alteradas. No momento, o foco é outro, é solucionar a crise. E essas estruturas estão congeladas.

Cristina Pecequilo, também professora da Unesp, afirma que França, Reino Unido e Rússia defendem reformas no CS “para que possam recuperar o poder que atualmente está em declínio".

Aldo Musacchio, professor do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, diz que a maior barreira à presença do Brasil no Conselho de Segurança são os próprios Estados Unidos:

- Dentro da ONU, o Brasil pode até conseguir se movimentar, mas dificilmente convencerá os Estados Unidos a concordar com um assento permanente. Os americanos têm parceiros mais importantes em termos de defesa, como Índia e Japão, que também querem esse assento.

Relação com o Irã pode pesar contra o Brasil

Musacchio diz que as relações do Brasil com o Irã também não favorecem o país aos olhos dos Estados Unidos:

- Depois de verem o Lula com o (presidente do Irã, Mahmoud) Ahmadinejad, será que os Estados Unidos vão querer que o Brasil tenha um assento permanente?

Para Matias Spektor, coordenador do MBA em relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas, a pequena chance de o Brasil conseguir o assento permanente não anula os benefícios da campanha conduzida pelo governo Lula:

- Todo o processo trouxe visibilidade para o Brasil nos países da África, do Oriente Médio e da Ásia, que são parceiros importantes. Isso facilita o trabalho no G20 (grupo das 20 maiores economias do mundo), por exemplo.