A estratégia do governador Sérgio Cabral para a reeleição em 2010 parece ser semelhante à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa presidencial. Lula vem trabalhando para que os partidos da base aliada se unam em torno da candidatura da ministra Dilma Rousseff (PT) e Cabral quer união em torno de seu nome no Rio. Um dos principais obstáculos, a pré-candidatura do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, pelo PT, já foi afastado. E, com a desistência de Fernando Gabeira (PV), o governador pode atrair parte do PPS.

As candidaturas ainda não estão definidas pelos partidos, mas Cabral vem demonstrando também que já tem adversário preferencial: o ex-governador Anthony Garotinho. Em atos público, Cabral tem feito ataques diretos e indiretos a Garotinho, seu antigo aliado que trocou o PMDB pelo PR para disputar o governo. Até o presidente Lula, que apoia a reeleição de Cabral, tem ajudado. Nas inaugurações de obras do PAC, terça-feira passada, nos complexos do Alemão e Manguinhos, Lula fez críticas indiretas a Garotinho, ao citar desavenças entre os governos estadual e federal antes de Cabral assumir o estado.

Para Geraldo Tadeu, do Instituto IBPS, a ação de Cabral e Lula pode ter relação com os resultados das pesquisas. “As últimas pesquisas mostram Garotinho consolidado em segundo lugar”, afirma Tadeu, lembrando dados do IBPS e do Datafolha — Cabral lidera nas duas pesquisas, oscilando de 36% a 39% dependendo do cenário. No IBPS, Garotinho tem entre 17% e 23% e no Datafolha, entre 23% e 24%.

“Garotinho é o adversário dos sonhos de Cabral porque tem índice de rejeição grande, especialmente na capital”, analisa Tadeu.Para Fábio Gomes, do Instituto Informa, a grande questão é se terá um terceiro nome na disputa. “A tendência pode ser Cabral ganhar por WO por ausência de candidatos de peso”, avalia ele.

Cesar Maia sem definição

Apontado como candidato ao governo por causa da provável desistência de Fernando Gabeira (PV), que deve concorrer ao Senado, o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), prevê disputa entre Cabral e Garotinho. Maia não confirma a candidatura, mas avalia que um terceiro nome pode ser determinante.

O deputado federal Miro Teixeira (PDT) não acredita que a disputa será apenas entre Cabral e Garotinho. Ele prevê um do PV, para dar palanque para Marina, e outro do PSDB, apoiando Serra.