Documentos sigilosos revelam que a Câmara bancou viagens de deputados a lugares turísticos --com acompanhantes--, em fins de semana, feriados e períodos de recesso.
A documentação com os gastos foram entregues à reportagem após determinação do STF (Supremo Tribunal Federal). São mais de 70 mil notas fiscais apresentadas pelos congressistas para obter reembolso da verba indenizatória, destinada exclusivamente à atividade legislativa.
O caso ocorre menos de um ano após o escândalo conhecido como a "farra das passagens". Os dados se referem a quatro meses, entre setembro e outubro de 2008. Em uma sala no Congresso, há notas fiscais de resorts, hotéis-fazenda, pousadas à beira-mar e restaurantes sofisticados.
Com base em outras denuncias feitas pela imprensa, que revelaram cinco exemplos de desvio de finalidade de verba--, a Corregedoria da Câmara abriu investigação preliminar, mas não decidiu quais casos seguirão para o Conselho de Ética e quais serão arquivados.
Cerca de 70 mil notas fiscais foram apresentadas pelos parlamentares para conseguir reembolso da verba indenizatória.
Alguns dos beneficiados são Enio Bacci (PDT-RS) que afirmou que foi para Santa Catarina para estudar o sistema prisional do Estado; Edinho Bez (PMDB-SC) que disse que foi a Pirenópolis e Goiás Velho (GO) porque assumiu o compromisso de visitar Nova Veneza, que tem o mesmo nome de uma cidade em Santa Catarina e Laurez Moreira (PSB-TO) que afirmou que esteve em Caldas Novas (GO) para estudar o sistema turístico da cidade.
Já os deputados federais Paulo Roberto Pereira (PTB-RS), Francisco Tenório (PMN-AL), Betinho Rosado (DEM-RN) e Jofran Frejat (PR-DF) não comentaram a denuncia.