Diversas cerimônias religiosas, muitas lágrimas e orações marcaram neste sábado os cinco anos do devastador tsunami que matou cerca de 230 mil pessoas em 26 de dezembro de 2004, a maior tragédia mundial em décadas.

Na Indonésia, os moradores da ilha de Maluku ficaram em pânico com um tremor de 6,7 graus de magnitude que atingiu a região. Não há, contudo, relato de vítimas ou danos e nem foi emitido alerta de tsunami.

Na Província indonésia de Aceh, a mais afetada pela catástrofe de 2004, o sábado foi um dia de oração nas mesquitas em memória dos quase 170 mil mortos ou desaparecidos no tsunami --causado por um terremoto de 9,1 graus de magnitude.

"Nenhum membro de minha família sobreviveu ao tsunami. Meus filhos, meus netos, meus irmãos, minhas irmãs, todos morreram e me deixaram sozinha, aqui", afirmou à agência de notícias France Presse Siti Aminah, 72.

"Talvez estejam enterrados aqui ou tenham sido levados pelo mar, porque vivíamos na praia", explicou Aminah, diante de uma das valas comuns onde se reuniram sobreviventes e parentes das vítimas.

A dois quilômetros do local, no porto de Ulee Lheu, o vice-presidente indonésio, Boediono, participou de uma cerimônia em memória das vítimas.

"Cinco anos depois, os habitantes de Aceh, com a ajuda da comunidade internacional, conseguiram se colocar de pé e renascer, reconstruindo sua vida social, econômica e cultural", declarou o vice-presidente diante de cerca de mil pessoas.

No local, assim como em outras partes da Província, é evidente as transformações feitas com os US$ 6,8 bilhões que 800 ONGs e países doaram para a reconstrução. Em cinco anos, segundo os dados da Agência para a Recuperação e Reconstrução de Aceh, nesta província foram construídas 140 mil casas, 1.700 escolas, mais de mil edifícios públicos e 36 portos e aeroportos.

Tailândia

Na localidade de Takua Pha, milhares de tailandeses e estrangeiros assistiram a um ritual budista em homenagem às 5.398 vítimas do tsunami, que atingiu pequenos povoados e populares destinos turísticos do sudoeste do país, como Phuket, Kao Lak e as ilhas Phi Phi.

De manhã cedo, pessoas já faziam fila ao longo da principal rua de Takua Pha para entregar suas oferendas ao vários monges que comandaram a cerimônia, realizada no mesmo mosteiro em que especialistas trabalharam durante vários meses na identificação de cadáveres, suportando o calor e o mau cheiro.

A cerca de poucos quilômetros, em Ban Nam Khem, um povoado de pescadores que perdeu mais da metade de seus 5.000 habitantes também organizou um ato solene em memória das vítimas.

A localidade, que era ocupada por centenas de cabanas de madeira, é hoje um destino turístico com ruas pavimentadas, construções de pedra e alvenaria, barracas de souvenirs e um muro com a forma de uma onda construído em frente ao mar.

Na orla, onde sinais de cor azul indicam que o lugar é exposto a tsunamis, a areia voltou a ser tomada por inúmeros turistas hospedados em um resort de uma rede internacional de hotéis, o mesmo do qual foram recolhidos os corpos de mais de 300 pessoas mortas pela onda gigante.

Pela rua infestada de casas desabitadas e construídas graças à bondade internacional, as pessoas tiram fotos ao lado da lancha da Guarda Costeira que o tsunami arrastou mais de um quilômetro terra dentro e que as autoridades decidiram transformar em uma espécie de monumento.

Já ao longo da praia de Khao Lak, onde cerca de 3.000 turistas e habitantes locais morreram, grupos hoteleiros construíram estabelecimentos ainda maiores sobre os escombros deixados pelo tsunami.

Nas ilhas Phi Phi, onde a onda gigante de cinco anos atrás destruiu tudo que tinha à sua frente, bares, lojas e hotéis fazem caixa com o dinheiro gasto pela legião de visitantes que voltou a desembarcar na localidade.

No Sri Lanka, onde as organizações humanitárias calculam em 31 mil o número de mortos, foram respeitados dois minutos de silêncio em todo o país em memória dos desaparecidos.

Alerta

Após a catástrofe, a região adotou sistemas de alerta de tsunamis para evitar a repetição da tragédia de cinco anos atrás. No entanto, Nooeln Heyzer, subsecretária-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), lamentou "falhas significativas".

"Os sistemas de alerta só salvam vidas se conseguem chegar às pessoas em perigo. Uma parte importante dos esforços deve se concentrar em informar as comunidades costeiras do perigo que correm e da forma de agir", afirmou.

A Índia investiu US$ 32 milhões em um sistema de alerta de tsunamis, elaborado para detectar com 20 minutos de antecedência os terremotos com magnitude acima de 6 graus na escala Richter no oceano Índico.

O Sri Lanka tem um sistema para enviar alertas por SMS aos telefones celulares em caso de desastre, enquanto a Tailândia construiu 103 torres equipadas com alto-falantes potentes ao longo da costa e aumentou o alcance do sinal de rádio em seis Províncias costeiras.

A Indonésia instalou sirenes de aviso de tsunami em Banda Aceh, Bali e Padang, como parte de um sistema integrado de alerta rápido com sismógrafos e satélites.

Terremoto

Um forte terremoto de 6,7 graus de magnitude atingiu neste sábado a ilha de Maluku, no leste da Indonésia.

O tremor foi registrado às 15h57 (4h57 no horário de Brasília), 152 km ao noroeste de Tual, na Província de Maluku, e a uma profundidade de 67 km, segundo a Agência Indonésia de Meteorologia e Geofísica.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos, que acompanha a atividade sísmica mundial, disse que o epicentro do tremor foi localizado a 57 quilômetros de profundidade e a 399 quilômetros de Ambon, capital da Província de Molucas.

Nenhum alerta de tsunami foi emitido e, até o momento, não há relatos de vítimas ou danos materiais.