O deputado federal Geraldo Magela (PT-DF) anunciou esta semana um duro golpe para as obras de estrutura da Copa 2014. Segundo o político, pressões de última hora fizeram com que R$ 1,2 bilhão fossem retirados dos recursos destinados a investimentos para a Copa de 2014 em 12 Estados.

Dentre os "desfalques", destaque para o Ceará, que deixará de receber R$ 100 milhões que seriam empregados na reforma do Castelão e para São Paulo, por exemplo, que perderá o mesmo montante - neste caso, planejado para uso no reaparelhamento da polícia e em obras de infraestrutura em esporte e lazer.

"É o custo que tem a disputa política", justificou o relator, antes de afirmar que ainda há cerca de R$ 400 milhões que estavam reservados para ações de custeio, como as bolsas de capacitação para a polícia do Rio de Janeiro, que ainda poderão ser realocados.

Quem ficou "chateado" foi o ministro do Esporte, Orlando Silva, que viu como uma "chantagem" o acordo feito entre base governista e oposição para "pulverizar" parte da verba reservada para obras do Mundial no Brasil e fez seu orçamento para infraestrutura esportiva despencar de R$ 200 milhões para parcos R$ 8 milhões. "Aos 47 minutos do segundo tempo, foi feito esse acordo. É uma contradição que vai atrapalhar a preparação do Brasil", afirmou o ministro.

Mesmo com este "golpe", o Governo Federal, por meio de outras pastas, investirá cerca de R$ 8 bilhões em mobilidade urbana, um incremento de 60% em relação aos R$ 5 bilhões inicialmente previstos. A este valor, soma-se outros R$ 5 bilhões que serão investidos por estados e municípios, em um total de 13 bilhões para obras em 2010.

As iniciativas do Plano para Aceleração do Crescimento (PAC) voltadas à Copa do Mundo ainda estão nebulosas. Quanto ao cronograma, o ministro, quando questionado, se limitou a enumerar os principais problemas, como obras nos aeroportos, que precisam estar prontos para a maior demanda. A Infraero tem um cronograma de obras pronto para isso: "O cronograma da Infraero tem que ser cumprido religiosamente, sob pena de colapso". Oficialmente, as obras não estão atrasadas e irão ampliar a capacidade de passageiros de 86 milhões para 143 milhões.