O ministro do Esporte, Orlando Silva, disse nesta quarta-feira (23) que o delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, não deve mais fazer parte dos quadros do ministério. Silva explicou que fez o pedido de cessão do policial ao Ministério da Justiça no dia 1º de setembro do ano passado e que depois Protógenes se filiou a um partido político e anunciou a decisão de concorrer às eleições em 2010.

“Solicitei em 1º de setembro a cessão do delegado ao Ministério da Justiça. De lá pra cá ele se filiou a um partido político e talvez tenha ficado velho o pedido de cessão. Quem for candidato tem que se desencompatibilizar em abril. Imagino que talvez ele não faça mais parte do ministério por falta de tempo de fazer o trabalho que ele iria fazer aqui”, explicou Silva.

 

Protógenes havia sido convidado para integrar a futura Secretaria do Futebol, que aguarda aprovação no Congresso Nacional para ser criada. O delegado se filiou recentemente ao PCdoB, mesmo partido do ministro do Esporte, Orlando Silva.

 

O ministro salientou que conhece o delegado “há muitos anos” e que ele tem “muita capacidade de planejamento”. Segundo ele, não estava nem definida a área que Protógenes atuaria no ministério. “O prazo [considerando o prazo de desincompatibilização, em 3 de abril] está muito curto para cumprir a missão que pretendíamos”, disse Silva.

 

Mas em entrevista ao G1 na semana que o convite foi divulgado, Protógenes disse que o cargo não atrapalharia a sua candidatura. "O cargo na secretaria não atrapalha a candidatura. Quando chegar a época das eleições pedirei afastamento temporário. Ainda não sou candidato, sou filiado ao PCdoB e o cargo será determinado por pesquisas. Algumas pesquisas me dão como favorito para o Senado. Uma bem recente, encomendada pelo PSB, me mostra como favorito", disse Protógenes.

Satiagraha

O delegado ficou conhecido por liderar a operação que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o mega-investidor Naji Nahas. Ele responde a processos administrativos na Polícia Federal por supostos abusos cometidos durante a Operação Satiagraha, como grampos feitos sem autorização judicial e vazamento de informações sigilosas.

 

O Superior Tribunal de Justiça divulgou nesta semana que deferiu liminar em favor do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, paralisando o andamento de duas ações: o processo de suborno em que o banqueiro foi condenado por corrupção e o processo a que Dantas responde por lavagem de dinheiro. Segundo o STJ, a decisão não anula a condenação e nem o bloqueio de dinheiro no exterior. Embora o pedido tenha sido feito pela defesa de Dantas, beneficia todos os outros envolvidos nos processos, de acordo com o STJ.

Tarso Genro

O ministro da Justiça, Tarso Genro, garantiu na semana passada que a PF não iria agilizar o andamento do inquérito a que o delegado Protógenes Queiroz responde para que ele fosse transferido para o Ministério do Esporte. Protógenes depende da investigação para que possa assumir cargo.


“Não há a menor possibilidade de fazermos isso [adiantar a análise da investigação na PF], porque os inquéritos têm um ritmo próprio imposto pela Corregedoria”, disse Tarso. Protógenes responde a processos administrativos na Polícia Federal por supostos abusos cometidos durante a operação Satiagraha, como grampos feitos sem autorização judicial e vazamento de informações sigilosas.