Na terça-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, determinou que o garoto fosse levado aos Estados Unidos, restabelecendo uma decisão do Tribunal Regional Federal da 2a Região e cassando liminar do colega Marco Aurélio Mello, que ordenava a permanência do menino no Brasil.
Com a decisão do Supremo, S.G. não será ouvido pela Justiça. "O Gilmar Mendes cassou um direito dele de se expressar, de abrir a boca e dizer que não quer ir", afirmou Bianchi. "Dentro do País dele, ele não é respeitado. Aqui dentro tem a lei da mordaça, se troca criança por acordo financeiro e econômico".
A avó disse acreditar que a volta aos Estados Unidos será "um trauma do tamanho de um bonde" na vida de S.G. "Essa criança não é um pacote que você despacha de um país para outro. Essa criança tem alma, é uma pessoa cujos direitos não estão sendo respeitados", protestou. "Para que existe Estatuto da Criança e do Adolescente? Para limpar chão?"
Apesar das críticas, Bianchi confirmou a informação dada anteriormente por seu advogado, Sérgio Tostes, de que a família brasileira não irá recorrer da decisão do STF. Ela informou que ainda não conversou com David Goldman, o pai americano de S.G., mas garantiu que advogados negociarão a entrega do menino, que deve ser feita até 9h de quinta-feira.
Bianchi afirmou, ainda, que pretende acompanhar o neto na viagem, mas disse que não está encontrando um voo para os Estados Unidos. "Ele é meu neto, está há cinco anos comigo e não vou largá-lo como se fosse um pacote que se despacha como um Sedex", acrescentou.
S.G. veio para o Brasil em 2004 com a mãe, a estilista Bruna Bianchi. No Brasil, Bruna separou-se de David Goldman, não retornou aos EUA e, posteriormente, casou-se com o advogado João Paulo Lins e Silva. Em agosto de 2008, Bruna morreu após o parto da segunda filha. De lá para cá, Goldman e Lins e Silva disputam a guarda do menino.