O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, encerrou a semana passada com o semblante que não disfarçava o cansaço. O discurso, porém, era de satisfação pelos resultados colhidos no difícil ano de resgate da crise internacional e de grande entusiasmo com as perspectivas futuras para o Brasil, apesar do desempenho do PIB no terceiro trimestre (1,3%), bem abaixo das expectativas do mercado e do governo. Mas ele deixa claro que, ao primeiro sinal de superaquecimento da economia, o BC atuará. Meirelles não diz, mas o recado é claro: nessas horas o instrumento clássico é subir os juros.

Para ele, o principal fator de tensão e preocupação no horizonte em 2010 não será externo, como nos últimos 15 meses, mas exatamente as eleições que se aproximam. Os temores de mudanças nos rumos da política econômica provocarão incertezas, diz.

Para Meirelles, no entanto, são remotas as chances de o país viver um novo 2002, quando Lula foi eleito para o primeiro mandato presidencial e o país mergulhou numa crise. O Brasil está mais sólido, mas diante da inquietação que está por vir com as eleições, avisa que o BC não hesitará e dispõe de um arsenal pesado para combater distorções. O presidente do BC deixa ainda transparecer viver um dilema pessoal entre retomar a carreira política ou continuar à frente do BC até o fim de 2010.