Os democratas do Senado dos Estados Unidos chegaram ontem, sábado, a um acordo com o senador Ben Nelson para, com 60 votos, aprovar a abrangente revisão do setor de saúde do país, bandeira eleitoral do presidente Barack Obama.
Segundo Nelson, a sexta-feira (18) foi de negociações e terminou com um acordo que resolve sua preocupação de que recursos federais não sejam usados para financiar abortos. "O plano que nós costuramos aqui, sobre o qual temos um acordo, isola o dinheiro de maneira efetiva", disse Nelson. "Sei que esses limites sobre aborto são difíceis de serem aceitados por algumas pessoas", afirmou. "Mas eu não votaria a favor do projeto sem eles."
O congressista deu seu apoio após o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, ter anunciado uma série de modificações ao projeto de lei, incluindo as concessões a Nelson no tema do aborto e financiamento para o Estado que o senador representa, Nebraska.
Com o apoio de Nelson, a maioria democrata soma agora os 60 votos que precisa no Senado para desbloquear qualquer tentativa de veto da oposição republicana e aprovar, finalmente, a reforma, após meses de debate e negociação no Capitólio.
O objetivo dos democratas é aprovar a medida antes do recesso de Natal, o que poderia supor uma votação durante a própria noite de 24 de dezembro.
A versão definitiva da medida proposta pelos democratas eliminou a criação de uma opção pública, um seguro de saúde público que concorreria com o setor privado. Em seu lugar, será permitido às seguradoras privadas que ofereçam planos de cobertura no país inteiro, em vez de ficarem submetidas às regras de cada estado em particular.
Apesar do anúncio do apoio de Ben Nelson, a oposição republicana procura atrasar o mais possível a votação sobre o projeto. Assim, neste fim de semana, obrigaram que seja lido em plenário o texto que contém as emendas, de mais de 300 páginas, o que se calcula que levará horas.