O transporte intermunicipal vai ter bilhete único a partir de fevereiro de 2010 no Estado do Rio. A data foi anunciada pelo governador Sérgio Cabral nesta terça-feira, em Japeri, na Baixada Fluminense. De acordo com Cabral, o bilhete único - que permite a utilização de mais de um meio de transporte por um período determinado de tempo - vai funcionar a princípio somente na Região Metropolitana.

O governador informou ainda que o Estado vai subsidiar parte dos custos, mas o valor ainda não foi definido. Segundo ele, o subsídio público é comum em todo mundo quando há a implantação do bilhete único nos transportes.

- Será um ganho extraordinário. Uma verdadeira carta de alforria para a população da Região Metropolitana - comentou Cabral.

Até o fim de dezembro, a Secretaria de Transportes vai fechar todos os detalhes técnicos do projeto. A novidade foi anunciada durante a inauguração do Centro de Educação Tecnológica e Profissionalizante (Cetep) de Japeri, que ele realizou acompanhado do vice-governador e secretário de Obras.

Em agosto, o prefeito Eduardo Paes e o secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão, assinaram um convênio no valor de R$ 4 milhões com a Companhia Brasileira de Soluções e Serviços (CBSS), que detém a empresa de cartões Visa Vale, para financiar os estudos para implantação do bilhete único nos transportes do Rio.Serão mapeados o número de linhas de ônibus, de passageiros transportados e de viagens feitas. Segundo o prefeito, somente com essas informações o município poderá implantar o bilhete único, uma das promessas de campanha de Paes.

Representantes do governo e das concessionárias que administram o transporte no estado vêm se reunindo há meses. De acordo com técnicos que participaram dos encontros, o desconto do bilhete único sem subsídio seria em média de 7%, o que reduziria o impacto social do sistema. Outro impasse era causado pela variação que existe entre as tarifas, que são mais de 70. É preciso chegar a um valor intermediário, de consenso. Além disso, as empresas temem uma grande perda de receita. E pedem garantias do governo de que vão receber ajuda financeira, ou subsídios, para aderir ao sistema.

Para Sérgio Ballousier, especialista em transportes urbanos, sem esse apoio do estado para compensar a perda de receita, a qualidade do serviço pode cair:

- Sem dúvida, o subsídio é absolutamente necessário.

O presidente do Sindicato das Empresas de Ônibus (Rio ônibus), Francisco Caetano, disse que a entidade não se opõe ao sistema. desde que ele não altere o equilíbrio financeiro das companhias de ônibus.

No município de São Paulo, o bilhete único existe há cinco anos e permite viagens de ônibus municipais, trens e metrô . Já o governo do estado de São Paulo abriu uma licitação para a implantação do bilhete integrado, cujas propostas serão conhecidas em janeiro de 2010. Com a entrada de outros municípios ao sistema, o bilhete integrado será ser gerido pela Secretaria estadual de Transportes Metropolitanos.

Em Curitiba, cujo sistema de transporte é considerado modelo no país, o bilhete único custa R$ 2,20 e não há limite de tempo ou de número de conduções, ou seja, o passageiro pode usá-lo quantas vezes forem necessárias para completar a viagem. O tíquete pode ser utilizado na capital paranaense e em todos os municípios da Região Metropolitana, já que o sistema é totalmente integrado. Assim, um passageiro pode andar até 70 quilômetros, de uma extremidade a outra, pagando apenas R$ 2,20.