Agricultores familiares, pesquisadores e produtores rurais participaram, entre os dias 10 e 12 deste mês, da quarta edição do Seminário Sobre Cultura da Mandioca e Derivados do Agreste de Alagoas. As atividades foram realizadas no auditório do Senai.
O evento, iniciado na noite da última quinta-feira (10), contou com o apoio da Prefeitura de Arapiraca, e teve como tema “a aplicação da mandioca em novos produtos para alimentação humana”.
Troca de experiências entre pesquisadores da Bahia, São Paulo e até de países como a Colômbia foram apresentadas aos produtores alagoanos. O objetivo foi de fazer fortalecer a cultura da mandioca em Alagoas e gerar renda e melhor qualidade de vida para agricultores familiares, a partir da diversificação de produtos com base na utilização de toda a planta.
“Atualmente, em Alagoas, os agricultores têm produzido apenas farinha, a partir da fécula. Mas da mandioca é possível utilizar desde a raiz até as folhas, que tem alto teor nutritivo para a ração animal, inclusive superando o milho na produção de cilagem”, destacou Joselito Motta, pequisador da Embrapa na Bahia. Além de apresentar palestra, ele também trouxe para os participantes do seminário vários tipos de alimentos produzidos com a mandioca, muitos deles com a adição de frutas, temperos e até mesmo suco.
“É preciso um esforço maior e vontade política, para que Alagoas possa se tornar um grande comercializador de produtos a base de mandioca”, ressaltou ele, confiante de que o Estado vai avançar neste direção, antes mesmo da realização do XIV Congresso Brasileiro da Mandioca, a ser realizado em 2011, no Centro de Convenções, em Maceió.
Diversificação
Outro pesquisador que trouxe sua experiência para Alagoas foi o colombiano Bernardo Ospina, que veio para ensinar os agricultores familiares a produzirem pães e biscoitos com o uso da mandioca.
Já o coordenador do Arranjo Produtivo Local (APL) da Mandioca no Agreste, Nelson Vieira, informou que, para os próximos anos, o APL vai promover ações para a diversificação de produtos derivados da raiz, buscando agregar mais valor à cultura, que já é a segunda mais importante em Alagoas.
Somente na região Agreste são 26 mil famílias de agricultores familiares. “O negócio é a gente somar esforços e ocupar espaços como o fornecimento de 30% da merenda escolar pelos agricultores, conforme já determinado por lei”, destacou.
O agricultor familiar Pedro Elias veio do município de Porto Calvo e se disse encantado com tudo o que já aprendeu no seminário. “A cultura da mandioca é boa de mesa e agora sei que ela pode render ainda mais. Vou levar os ensinamentos para meus colegas produtores, para que eles se animem, porque sei que podemos ter bons lucros com os novos produtos que podem ser feitos com a mandioca”, comemorou.
A programação de encerramento, no sábado, incluiu quatro oficinas para a fabricação de pães e sequilhos doces e salgados, produtos para coffee break e técnica de congelamento, já que a mandioca é um produto que depende do uso rápido, quando retirada da terra, para que não se estrague.
O seminário contou ainda com apoio do Sebrae, Prefeitura de Arapiraca, Governo do Estado, e do Consórcio Intermunicipal de Produção, Industrialização e Comercialização dos Produtos da Agricultura Familiar da Região Agreste de Alagoas (Consiagre).
