Amparado por uma "tropa de choque", formada por juristas, o Coritiba enfrenta, a partir das 17h desta feira, o julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Perante a 2ª Comissão Disciplinar do tribunal, o clube tentará escapar de uma punição "exemplar", devido à invasão de campo e o quebra-quebra promovidos por parte de sua torcida, após o jogo com o Fluminense, no último dia 6.

Se for punido, o Coxa pode perder até 30 mandos de jogos e ser multado em R$ 620 mil. A sessão desta terça-feira, porém, é a primeira instância do julgamento. A decisão final, pois cabe recurso, será dada pelo Pleno do Tribunal.

Aconselhado por um grupo de juristas, torcedores do clube, o departamento jurídico chega ao Rio de Janeiro com a estratégia de defesa montada. A primeira ação, no entanto, será tentar adiar o julgamento. Os advogados irão alegar que precisam de mais tempo para preparar a defesa e, para isso, será preciso esperar a conclusão dos inquéritos policiais ainda em andamento.

A linha defesa, porém, já está traçada. Caso não consiga o adiamento, o clube irá levantar a tese de que houve um "crime passional" na atitude dos torcedores, ao se voltarem contra algo que amam. Outro ponto a ser enfatizado pelos advogados será de que o clube, na verdade, é vitima dos acontecimentos, e tomou todas as medidas de segurança para evitar a invasão.

“O Coritiba não pretende que o direito e a Justiça não sejam aplicados, mas o que vai procurar sustentar é que o clube é tão vítima como as pessoas que foram agredidas”, afirmou Júlio Brotto, um dos advogados que que auxilia na construção da defesa.

De acordo com a denúncia feita pela procuradoria do STJD, o Coritiba irá responder triplamente por infração do artigo 213 (deixar de tomar medidas capazes de prevenir e reprimir desordens em sua praça de desporto) do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), o que pode lhe render a pena de perda de até 30 mandos de campo.

O Alviverde também foi denunciado no artigo 211 (deixar de manter o local que tenha indicado para realização do evento com infraestrutura necessária a assegurar plena garantia e segurança para sua realização), que prevê a interdição do estádio, até que sejam atendidas as medidas determinadas pela sentença. Além, disso o clube pode ser multado em até R$ 620 mil.