O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, divulgou nota hoje para criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que usou ontem um palavrão em discurso em São Luís (MA). Guerra diz que o "palavrão que saiu da boca do presidente Lula choca menos pela grosseria do que pela sinceridade".
"Um general-presidente da época do "milagre econômico" brasileiro disse uma vez que o país ia bem mas o povo ia mal. O atual presidente disse, com outras palavras, que ele mesmo vai bem mas o povo vai mal", afirma Guerra.
Lula falou o palavrão ontem após ressaltar que nenhum outro governo investiu tanto em saneamento básico. "Eu não quero saber se o João Castelo [prefeito de São Luís, do PSDB] é do PSDB, não quero saber se o outro é do PFL [DEM], não quero saber se é do PT. Eu quero saber se o povo está na merda e eu quero tirar o povo da merda em que ele se encontra. Esse é o dado concreto", disse Lula, que foi aplaudido pelo público que acompanhava a cerimônia.
Logo após a manifestação do público, o presidente reconheceu que falou um palavrão e disse que a imprensa vai repercutir sua declaração.
Guerra disse que não é só em saneamento que o povo vai mal. "Na saúde, na educação, na segurança pública, nas estradas, nos portos, na energia elétrica, há uma distância chocante entre a dura realidade dos brasileiros e o triunfalismo dos discursos do presidente Lula."
Ele afirma que o presidente pinta nos discursos um mundo de faz de conta. "Se pelo menos o país fosse tão bem como o presidente se esforça para nos fazer acreditar. Mas não vai."
Defesa
Para o vice-presidente José Alencar, Lula expressou sua a intensidade de sua vontade de ajudar a população carente.
"O que o presidente quis dizer é que ele está preocupado com as pessoas que estão em situação difícil ainda. E todos conhecem a sensibilidade do presidente em relação a isso. Então ele se utilizou de uma expressão forte. Porém, ele deseja dizer que nós queremos fazer tudo para tirar mais brasileiros da extrema dificuldade", afirmou o vice.
Já o presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Geraldo Lyrio Rocha, minimizou o "palavrão". "Eu acho que isso [palavrão] pode ter sido um ato espontâneo. Não devemos minimizar coisas graves, nem tornar graves as coisas mais simples. Eu não falo palavrão, mas prefiro não julgar. Palavrão não cabe em contexto nenhum, mas não cabe a mim julgar. Só Deus é quem pode julgar", disse.