O Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou, por seis votos a três, a medida cautelar do jornal O Estado de S. Paulo contra a censura imposta pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) por ter divulgado interceptações telefônicas mantidas sob segredo judicial. Nas gravações, apareciam o empresário Fernando Sarney e o pai dele, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
Em julho, o Estado de S. Paulo divulgou gravações feitas pela Polícia Federal durante a Operação Boi Barrica, que indiciou Fernando Sarney. Um dos áudios mostra conversas entre Maria Beatriz Sarney, neta de José Sarney, e o pai dela, Fernando Sarney. No áudio, Maria Beatriz intercede junto a Fernando para que seu namorado ocupe uma vaga no Senado. A contratação teria sido intermediada pelo então diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, e foi feita por ato secreto (decisões adiministrativas do Senado que não foram publicadas e que se tornaram o centro de uma onda de denúncias contra a Casa).
Na reclamação ajuizada pelo jornal do STF, o Estadão alegava ter sido vítima de censura judicial, contrariando o julgamento em que o Supremo derrubou a Lei da Imprensa, editada durante a ditadura militar. Entretanto, o relator do caso, ministro Cezar Peluso, afirmou que a liberdade de imprensa não pode passar por cima de outros direitos. O entendimento foi seguido pelos ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie, Eros Grau e José Antonio Dias Toffoli.
O ministro Carlos Ayres Britto, relator do julgamento que revogou a Lei de Imprensa, defendeu a derrubada da medida contra o jornal, inaugurando a divergência. Britto ressaltou que a publicação não foi responsável por fazer as escutas e nem vazá-las. Indicado por Sarney ao STF, o ministro Celso de Mello proferiu um voto contra a censura, citando a época da ditadura militar. A ministra Carmen Lúcia também acompanhou a minoria.