O ministro das Relações Exteriores do governo de fato de Honduras, Carlos López, afirmou nesta quinta que o pedido de salvo-conduto feito pelo México para que o líder deposto, Manuel Zelaya, pudesse viajar ao país foi negado, mas disse que a possibilidade do documento ser concedido "segue em aberto". Dessa forma, Zelaya não deve sair da embaixada do Brasil, pois esperava, segundo seus porta-vozes, a concessão do salvo-conduto para deixar Honduras.
"O governo hondurenho negou o salvo-conduto pela forma como foi feita a solicitação e pela falta de qualificação jurídica do tipo de asilo que lhe pretendiam conceder", explicou López à imprensa local. O ministro também não quis entrar em detalhes sobre os termos da solicitação mexicana. "Não quero me estender sobre esse tema porque diz respeito à relação bilateral entre os dois países. Posso dizer apenas que o pedido não reunia as condições apropriadas", justificou.
Em declarações à rede de televisão americana CNN, o ministro do Interior de Honduras, Óscar Matute, disse que o México entrou "com um pedido de salvo-conduto, mas não explicou em que condição o quer receber". López, por sua vez, confirmou que o governo mexicano enviou um avião para transportar Zelaya e sua família, mas sua rota foi desviada para El Salvador em última hora.
"O governo de fato também havia oferecido um avião, mas quando estavam sendo analisados os documentos houve o impasse", afirmou. "Isso não representa uma situação final por parte do governo, estamos dispostos a examinar (a solicitação) sempre e quando, claro, forem cumpridos os devidos requisitos", concluiu López.
No início da madrugada desta quinta, o Ministério de Relações Exteriores do Brasil confirmou que havia uma negociação entre o governo mexicano e Manuel Zelaya para que o presidente deposto de Honduras deixasse o país. Uma vez concedido o salvo-conduto, Zelaya deveria sair da embaixada por volta da 0h local (4h de Brasília). O diplomata brasileiro Francisco Catunda chegou a dizer à GloboNews que Zelaya deixaria a embaixada com a mulher, um assessor e dois filhos.