Documentos entregues à Polícia Federal pelo pivô do mensalão do DEM, Durval Barbosa, indicam que dinheiro público bancou despesas de uma casa usada pelo governador José Roberto Arruda (DEM-DF) na campanha eleitoral de 2006 e durante a transição de governo.
Um funcionário do governo do Distrito Federal, que atuava como uma mistura de caseiro e gerente da casa, cobria os gastos -que incluíam churrasqueiro, linguiça e coxinha de frango. Segundo Barbosa, até R$ 7 milhões de dinheiro desviado da estatal do DF que presidia, a Codeplan, foram parar na casa. Cerca de R$ 400 mil estão discriminados em recibos e notas fiscais datadas de outubro a dezembro daquele ano.
Barbosa guardou os documentos, que foram assinados pelo "caseiro" Tales Souza Ferreira. Ele ocupava cargo de confiança na Codeplan, então dirigida por Barbosa -que deixou Arruda na berlinda com um vídeo mostrando o então candidato recebendo dinheiro vivo.
Ferreira segue na estatal e não quis dar entrevistas. Após a revelação do mensalão, há duas semanas, pediu licença e só volta a trabalhar daqui a dez dias.
A Folha apurou que ele entrou na estatal como motorista. Depois, ganhou cargo de confiança de assessor com o segundo melhor salário da Codeplan: R$ 6.996. Hoje vive numa área de Brasília em que as casas não custam menos de R$ 600 mil.