Jogo de cena. Foi dessa maneira que o ministro das Relações Exteriores, chanceler Celso Amorim, definiu o ambiente predominantemente conservador durante as negociações da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 15).

Na avaliação do chanceler, os países ricos estão tentando “pegar carona” na proposta apresentada pelos Estados Unidos – de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 17% até 2020 – para não adotar propostas mais ousadas de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa.

“Acho que a posição do Brasil motivou outros países que não haviam apresentado números, como China, Índia e Estados Unidos. Depois que o Brasil apresentou, eles apresentaram. Agora, você não pode querer que os países se exonerem da responsabilidade. Por oportunismo, os países ricos, como eles sabem que os Estados Unidos dificilmente poderão assumir uma meta do tipo da de Kyoto, os países ricos estão pegando carona (na proposta dos EUA). No mais, é jogo de cena”, avaliou Amorim.

O chanceler concedeu entrevista a emissoras de rádio durante o programa “Bom Dia, Ministro”. Amorim defende que os países ricos se comprometam com metas compatíveis com a quantidade de poluição lançada na atmosfera. Apenas China e EUA são responsáveis por metade das emissões dos gases causadores do efeito estufa no planeta.

Ele lembrou que o bloco europeu propôs reduções entre 20% e 40% e avaliou que um corte de 30% é o “minimamente razoável”. Amorim acredita, entretanto, que o acordo firmado entre o Brasil e a França pode funcionar como uma espécie de ponte para um maior comprometimento dos países ricos.
Outro assunto que gerou polêmica em Copenhague trata do financiamento reservado a países pobres e em desenvolvimento para que cumpram as metas apresentadas no encontro. Sobre essa questão, o ministro afirmou que o Brasil, mesmo como país em desenvolvimento, quer receber recursos, uma vez que apenas a proposta de redução do desmatamento da Amazônia em 80% até 2020 representa mais do que toda a meta apresentada pelo governo Barack Obama.

Perguntado se está confiante sobre a possibilidade de um acordo global ao final do encontro na Dinamarca, Amorim disse apenas que ser otimista faz parte de seu perfil profissional, mas admitiu que há sempre “uma pontinha de crítica” em relação ao assunto.

“Não quero ser a consciência do mundo, mas acho que os Estados Unidos deram um passo porque estavam em uma situação de negação, mas é um passo devagar. Eles querem ter tratamento de país em desenvolvimento. O mundo pode até aceitar isso por um tempo, mas é um progresso ainda muito pequeno em relação ao que é necessário.” (Com informações da Agência Brasil)