Apesar de os termômetros marcarem apenas 3 graus em média nestes dias em Copenhague, não há tema mais quente na capital dinamarquesa do que o clima. Pelas ruas, no aeroporto, em estações de trem, em cada canto, há uma referência à Conferência do Clima (COP 15), em cartazes ou eventos que lembram a todo momento a importância do encontro. Um dos cartazes mais marcantes é um outdoor que mostra dois meninos dinamarqueses, fazendo o papel de salva-vidas da Terra, sob a palavra Hopenhagen – trocadilho com o nome da Copenhague, em que Cope vira Hope (esperança, em inglês).
E, passeando pelas ruas, tem-se a sensação de que realmente se está na Cidade da Esperança. Não só porque líderes de 192 países estarão tentando um acordo para salvar o planeta do aquecimento global. Parece que ali, em Hopenhagen, um novo mundo, mais ecológico, já existe.
– Decidi nunca comprar um carro. Aqui a gente não precisa disso. Temos ciclovias e um sistema excelente de transporte público – diz Martin, 38 anos, professor de uma escola de educação infantil.
Christiania
Martin é frequentador do bairro chamado Christiania, onde moram artistas plásticos, músicos e jornalistas. Lá, casas e prédios seculares são reformados com material de demolição: desde janelas a pias de cozinha. Não há muita iluminação nas ruas deste bairro, para poupar energia:
– Temos esta tradição, de não desperdiçar nada. Mas, para nós, é natural. Não tem nada a ver com a COP 15. Sempre fomos assim.
Assim é Hopenhagen. Ecologia e sustentabilidade fazem parte do cotidiano. Para passear ou fazer compras, famílias usam bicicletas em que as crianças pequenas vão sentadas num compartimento especial, na parte da frente.
E pedalar por toda Hopenhaguen é seguro. As ciclovias ficam a uma nível intermediário entre as pistas de carros e as calçadas, protegidas por um meio-fio, um pouco mais baixo. Nos grandes cruzamentos, faixas azuis sobre o asfalto marcam o espaço em que as bikes devem trafegar.
As bicicletas, um símbolo deste país, são usadas numa curiosa instalação na Radhus Pladsen, a principal praça da cidade. Ali, as luzes de uma árvore de Natal são acesas com a energia gerada por bicicletas fixas sobre um pedestal. A energia gerada pelas pedaladas acende as lâmpadas.
Estes exemplos podem inspirar os representantes dos 192 países que participam da COP 15. Uma caminhada ou pedalada pelas ruas seria uma boa proposta para eles, que baterão o martelo sobre um acordo. Assim, poderiam respirar o clima de esperança de Hopenhagen e tomar a decisão certa, para o bem da Terra